Iniciativa visa expandir áreas verdes, combater ilhas de calor e fortalecer a biodiversidade local
Em um movimento significativo em prol da sustentabilidade e da qualidade de vida urbana, a capital baiana celebrou o Dia Nacional da Mata Atlântica, em 27 de maio, com o plantio simultâneo de 1.200 mudas de árvores nativas em seis regiões estratégicas da cidade. A ação, parte integrante do plano municipal de arborização urbana, é coordenada pela Secretaria de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-estar e Proteção Animal (Secis) e reforça o compromisso da administração municipal em transformar Salvador em uma cidade mais verde, resiliente e agradável para seus habitantes.
O Dia Nacional da Mata Atlântica, comemorado em 27 de maio, é uma data de grande importância, instituída em homenagem à “Carta de São Vicente”, documento de 1560 assinado pelo Padre Anchieta que já descrevia a rica biodiversidade das florestas tropicais brasileiras. A data serve como um lembrete crucial da necessidade de conservar e recuperar este bioma vital, que, apesar de presente em cerca de 15% do território nacional, possui apenas 12,4% de sua vegetação original. A preservação da Mata Atlântica é fundamental não só para a sobrevivência de milhares de espécies, mas também para a manutenção de recursos hídricos, o equilíbrio climático e a proteção contra desastres naturais, garantindo a qualidade de vida das populações.
O maior foco do plantio em Salvador ocorreu na movimentada Avenida Gal Costa, onde aproximadamente 600 mudas foram cuidadosamente plantadas no canteiro central. Outras áreas beneficiadas incluíram a Avenida 29 de Março, a Praça da Centenário e os bairros da Pituba e Patamares. A escolha do número de árvores para cada local foi determinada pela Secis, levando em consideração o espaço disponível e as condições ideais para o desenvolvimento das mudas.
De acordo com Ivan Euler, Secretário da Secis, esta iniciativa representa um pilar da política pública de arborização urbana da prefeitura, que busca implementar soluções baseadas na natureza para mitigar os impactos das mudanças climáticas e melhorar o ambiente urbano. “Essa ação não só melhora a qualidade do ar e combate as ‘ilhas de calor’, fenômenos onde a temperatura em áreas urbanas é significativamente maior, mas também contribui para a restauração do bioma Mata Atlântica dentro do espaço urbano”, explica Euler.
A seleção das espécies de mudas foi um ponto crucial do projeto. Foram utilizadas árvores nativas e adaptadas ao clima local, que oferecem maior taxa de sucesso de pegamento e resiliência. Entre as espécies plantadas estão os vibrantes ipês (rosa, amarelo e roxo), pau-ferro, sibipiruna, pata-de-vaca, pau-brasil, aroeira, além de árvores frutíferas como acerola e pitanga. A bióloga Leila Chirame Oliveira ressaltou a importância de plantar espécies nativas em áreas urbanas para promover o reflorestamento e proporcionar benefícios diretos à população, como sombra, proteção do solo, liberação de oxigênio e aumento da visibilidade do verde.
A iniciativa contou com o apoio técnico do Sistema de Áreas de Valor Ambiental e Cultural (Savam). João Resch Leal, diretor da Savam, destacou que o projeto visa preencher corredores urbanos desprovidos de vegetação, como a Avenida Gal Costa, criando novos pulmões verdes para a cidade.
A arborização urbana oferece uma vasta gama de benefícios, que vão muito além da estética. As árvores melhoram a qualidade do ar ao absorver dióxido de carbono e liberar oxigênio, retêm material particulado e ajudam a diminuir a temperatura ambiente, reduzindo as ilhas de calor e a necessidade de ar condicionado. Além disso, controlam a umidade do ar, amortecem ruídos, protegem contra ventanias, previnem a erosão do solo e contribuem para a recarga de lençóis freáticos, protegendo mananciais. Em um aspecto social, criam ambientes mais convidativos para lazer e atividades físicas, valorizam imóveis e promovem o bem-estar físico e mental da população, reduzindo o estresse e a ansiedade.
No entanto, o reflorestamento urbano no Brasil enfrenta desafios significativos. O Secretário Ivan Euler mencionou o vandalismo e o furto de mudas como obstáculos. Outros desafios incluem a escolha inadequada de espécies para o local, a falta de espaço nas calçadas e infraestruturas subterrâneas, a necessidade de manutenção contínua e a conscientização da comunidade. Apesar desses percalços, a participação da comunidade é fundamental, como demonstrado pela presença do jovem Luíde Pito de Jesus, de 12 anos, que plantou sua primeira árvore na ocasião.
A Prefeitura de Salvador incentiva a participação cidadã através do canal Disque Mata Atlântica, onde os moradores podem solicitar o plantio de árvores em áreas públicas, reforçando a importância da colaboração coletiva na construção de uma cidade mais verde e sustentável.