Após reavaliação, o Samba de Roda e o Ofício de Mestres de Capoeira têm seus status de patrimônio renovados pelo Iphan, com novos detalhes na descrição dos bens culturais
Na tarde desta segunda-feira (11), o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou a revalidação do título de Patrimônio Cultural do Brasil para o “Samba de Roda do Recôncavo Baiano” e o “Ofício de Mestres de Capoeira”. A decisão foi tomada após um processo de reavaliação, conforme exige o Decreto 3.551/2000, que regulamenta o registro de bens culturais imateriais no país.
O processo de revalidação é uma etapa essencial para garantir que as práticas culturais mantenham seu status de patrimônio, além de permitir que sejam documentadas de forma contínua. O Decreto 3.551/2000 determina que, após dez anos do reconhecimento inicial, os bens culturais imateriais registrados sejam reavaliados para acompanhar as transformações desses bens e o contexto que os envolve. Isso é necessário porque bens culturais imateriais, como o samba e a capoeira, estão sujeitos a mudanças significativas, e sua preservação depende de um acompanhamento atento.
Mudanças no registro
Durante a reavaliação, houve atualizações importantes nos títulos de ambos os patrimônios. O “Samba de Roda do Recôncavo Baiano” passa a ser reconhecido como “Samba de Roda do Estado da Bahia”. Essa mudança reflete a amplitude do samba de roda, que, embora originário do Recôncavo Baiano, se expandiu e ganhou força por toda a Bahia, sendo uma prática cultural que conecta diferentes comunidades do estado.
Já o título do “Ofício de Mestres de Capoeira” foi ampliado para “Ofício de Mestres e Mestras de Capoeira”. Essa alteração reflete a importância crescente da participação feminina na capoeira, uma manifestação cultural essencialmente popular e plural que, ao longo dos anos, tem visto um número crescente de mulheres assumindo papéis de destaque, como mestres e mestras, dentro dessa prática.
O valor cultural e histórico
Ambos os bens culturais, o Samba de Roda e a Capoeira, possuem grande importância histórica e simbólica para o Brasil. Reconhecidos como Patrimônios da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), essas manifestações representam a resistência, a criatividade e a diversidade cultural do povo brasileiro. São expressões que surgiram no contexto da escravidão, mas que, ao longo do tempo, se transformaram em símbolos de resistência e celebração da identidade afro-brasileira.
A revalidação do título de Patrimônio Cultural do Brasil não só reforça o status de ambos os bens, mas também assegura que futuras gerações possam continuar vivenciando e preservando essas práticas culturais em sua forma mais autêntica. O samba e a capoeira são pilares da cultura brasileira, e a sua preservação e valorização são essenciais para garantir a continuidade dessas tradições.
A importância da revalidação
A renovação do status de patrimônio imaterial é um processo que vai além da mera formalização. Ele é uma ferramenta estratégica para garantir que as tradições sejam adequadamente registradas, preservadas e transmitidas às gerações seguintes. Para os mestres e praticantes do samba e da capoeira, a revalidação é uma forma de reconhecer o trabalho e a dedicação que cada um coloca na manutenção dessas práticas, além de destacar o papel crucial que essas manifestações culturais desempenham na formação da identidade do povo brasileiro.
A decisão do Iphan também sinaliza a importância do reconhecimento contínuo do valor do patrimônio imaterial, que está em constante transformação, refletindo mudanças nas sociedades e nas comunidades que o praticam.