Pela primeira vez em mais de um século, o plenário rejeita um nome escolhido pelo Presidente da República para a Suprema Corte.
O cenário político em Brasília vive um momento histórico e de muita tensão. Após uma sessão intensa, o plenário do Senado Federal decidiu rejeitar a indicação de Jorge Messias para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). O atual Advogado-Geral da União não conseguiu atingir o número necessário de votos favoráveis, o que representa uma derrota política significativa para o Governo Federal.
Esta é uma situação extremamente rara na história do Brasil. A última vez que o Senado barrou um nome indicado pelo Presidente da República para o STF foi ainda no século XIX, durante o governo de Floriano Peixoto. Desde então, a tradição era de que as sabatinas e votações confirmassem os nomes escolhidos, mesmo após debates acalorados.
Com a rejeição de Messias, o processo volta para a estaca zero. Agora, cabe exclusivamente ao Presidente da República escolher um novo nome para ocupar a cadeira deixada pela aposentadoria da ministra Rosa Weber. O novo indicado precisará passar por todo o rito oficial novamente: ser submetido à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), enfrentar uma nova sabatina pública e, finalmente, ser votado no plenário do Senado.
Enquanto um novo nome não é aprovado e empossado, a vaga no STF permanece aberta, deixando a Corte com 10 ministros. Isso pode gerar impasses em julgamentos importantes que dependem de quórum completo ou que podem terminar em empate. O governo agora corre contra o tempo para articular um nome que tenha melhor aceitação entre os senadores e evitar um novo desgaste político.
Foto: José Cruz/Agência Brasil