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STF sob tensão: André Mendonça levanta sigilo de ação e avalia pedir investigação contra Alexandre de Moraes

Foto: Antonio Augusto/SCO/STF
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Perícia da Polícia Federal revelou troca de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e contato atribuído ao magistrado; caso envolve contratos milionários e suposta vazamento de informações.

O Supremo Tribunal Federal (STF) vive momentos de forte tensão de bastidor após a decisão do ministro André Mendonça de retirar o sigilo da ação que investiga as relações e mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes.

A análise pericial realizada pela Polícia Federal detalhou o caminho percorrido por Vorcaro para enviar textos a um contato salvo em seu aparelho como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Utilizando o software forense IPED, a PF cruzou horários de notas criadas no iPhone, capturas de tela, arquivos temporários em PDF e os registros de envio do WhatsApp. O relatório aponta um padrão em que o empresário escrevia no aplicativo de notas, tirava print e, segundos depois, encaminhava o conteúdo. De 52 notas analisadas com o mesmo padrão, a perícia confirmou mensagens recuperadas diretamente no aplicativo enviadas na véspera da prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.

Nos diálogos apresentados no relatório, o ex-banqueiro questionava o magistrado sobre a iminência de operações policiais e se precisaria deixar o país antes de ser detido na Operação Compliance Zero. Em uma das mensagens, Vorcaro perguntou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. A PF aponta que o teor dos textos levanta a hipótese de que o ministro tenha repassado informações privilegiadas sobre datas e horários de diligências da corporação.

Outro ponto sob análise de Mendonça envolve um trecho em que Vorcaro menciona a necessidade de contar com a “proteção” de “Andrei” (referência ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues) e “Paulo” (referência ao procurador-geral da República, Paulo Gonet). Diante disso, Mendonça solicitou esclarecimentos complementares à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Além das mensagens digitais, o caso envolve controvérsias financeiras. Foi revelada a existência de um contrato milionário firmado entre o escritório de advocacia da esposa do magistrado, Viviane Barci de Moraes, e Vorcaro. Metadados do arquivo indicam que o documento foi editado por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. Em nota, o escritório esclareceu que consultou Moraes apenas para verificar a inexistência de impedimentos legais, concluindo pela regularidade do acordo, e destacou que o ministro jamais julgou causas relativas ao Banco Master no tribunal, tendo os serviços sido devidamente prestados.

Diante da gravidade dos fatos, o ministro André Mendonça estuda apresentar um pedido formal ao presidente do STF, Edson Fachin, para abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes no plenário da Corte. Por envolver um integrante do tribunal, a autorização depende do voto dos demais ministros, e bastidores indicam que Mendonça já mapeia o apoio entre os pares para a eventual votação.