Ministério da Saúde anuncia investimento em tecnologia de ponta que utiliza células do próprio paciente para combater a doença com alta taxa de sucesso
O Governo Federal anunciou, nesta semana, a intenção de incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) um dos tratamentos mais promissores da medicina atual no combate ao câncer: a terapia celular CAR-T. A informação foi divulgada pelo ministro da Saúde, Nísia Trindade, e pelo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, durante evento realizado em Brasília. A proposta marca um avanço histórico na oncologia brasileira, alinhando o país às mais modernas práticas internacionais.
A terapia CAR-T (sigla para Chimeric Antigen Receptor T-cell) é um tipo de imunoterapia personalizada, em que as células T do próprio paciente são coletadas, geneticamente modificadas em laboratório para reconhecer e destruir células cancerígenas, e depois reintroduzidas no organismo. O tratamento já é aprovado e utilizado em países como Estados Unidos, Alemanha, Canadá e Japão, com resultados promissores principalmente em casos de leucemias e linfomas resistentes a tratamentos convencionais.
Atualmente, o alto custo da terapia — que pode ultrapassar R$ 2 milhões por paciente — é o principal obstáculo à sua ampla disseminação. No entanto, o governo federal planeja desenvolver uma plataforma nacional de produção, com investimentos de aproximadamente R$ 90 milhões, em parceria com instituições públicas como o Instituto Butantan, a Fiocruz, a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
A expectativa é que o Brasil comece a produzir o tratamento em solo nacional, reduzindo drasticamente os custos e possibilitando sua oferta gratuita pelo SUS, o que representaria um marco histórico para o sistema público de saúde. Segundo Padilha, o projeto visa “democratizar o acesso a tecnologias de ponta” e garantir que tratamentos eficazes não sejam restritos a uma pequena parcela da população.
A terapia CAR-T também é considerada menos agressiva do que a quimioterapia tradicional e possui taxas de remissão impressionantes, chegando a 70% em alguns tipos de câncer hematológico. Outro aspecto inovador é que se trata de uma abordagem individualizada, feita sob medida para cada paciente, o que amplia suas chances de sucesso e reduz efeitos colaterais.
Segundo especialistas, a aprovação e produção nacional da CAR-T pode representar o início de uma nova era na oncologia brasileira. No entanto, ainda há etapas importantes a serem cumpridas, como ensaios clínicos nacionais, aprovação da Anvisa e a estruturação de centros especializados para aplicação da terapia, dada sua complexidade.
A previsão do Ministério da Saúde é de que, com os investimentos certos e a articulação entre os principais centros de pesquisa do país, o SUS possa começar a oferecer a terapia celular CAR-T nos próximos anos, transformando o panorama do tratamento do câncer no Brasil e oferecendo uma esperança real a milhares de pacientes.