Novo tratamento permite a pacientes viverem sem injeções diárias de insulina e marca avanço histórico na medicina regenerativa
Uma revolução silenciosa pode estar em curso no tratamento do diabetes tipo 1. Uma nova terapia celular desenvolvida pela empresa americana Vertex Pharmaceuticals tem apresentado resultados promissores e pode, em breve, libertar pacientes das injeções diárias de insulina. O tratamento é considerado uma “cura funcional” para a doença autoimune, que afeta milhões de pessoas no mundo, inclusive no Brasil.
A terapia consiste na implantação de células-tronco modificadas que são programadas para se transformar em células beta — responsáveis pela produção de insulina no pâncreas. Essas novas células são capazes de detectar os níveis de glicose no sangue e liberar insulina naturalmente, simulando o funcionamento de um pâncreas saudável.
Um dos casos mais emblemáticos é o do paciente Brian Shelton, que participou dos ensaios clínicos nos Estados Unidos e, após a aplicação da terapia, passou a manter seus níveis de glicose estáveis sem a necessidade de injeções de insulina por mais de dois anos. Segundo a CNN, o tratamento foi bem-sucedido mesmo sem a encapsulação das células (método que impede que o sistema imunológico ataque o tecido implantado), o que aumenta ainda mais a perspectiva de eficácia do método.
O procedimento é realizado com a introdução de células geradas em laboratório no organismo do paciente, exigindo imunossupressores para evitar a rejeição. Apesar disso, o avanço é visto como significativo e animador. “É a primeira vez que conseguimos restabelecer a função das células beta de forma estável e eficaz por tanto tempo em um ser humano com diabetes tipo 1”, afirmou a Vertex em nota oficial.
Os ensaios clínicos seguem em andamento e, até o momento, têm demonstrado segurança e eficácia consideráveis. A empresa já trabalha em fases mais amplas da pesquisa e busca aprovação regulatória para tornar o tratamento disponível a um número maior de pacientes. A comunidade científica, embora cautelosa, considera o avanço um marco na medicina regenerativa e no combate ao diabetes.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o diabetes tipo 1 representa cerca de 10% dos casos de diabetes no mundo. A doença surge geralmente na infância ou adolescência, e seus portadores precisam monitorar constantemente os níveis de glicose no sangue e aplicar insulina várias vezes ao dia para sobreviver.
A chegada de uma terapia que substitua essa rotina com segurança representa um salto histórico no tratamento da enfermidade. Especialistas acreditam que, com novos ajustes, a técnica poderá ser aplicada também a outros tipos de diabetes e doenças autoimunes no futuro.
Fonte: CNN