Monte Krasheninnikov voltou a expelir lava após forte tremor no Oceano Pacífico, e imagens inéditas de radar mostram a evolução do fenômeno na Península de Kamchatka.
Um terremoto de magnitude 8.8 no Oceano Pacífico provocou o despertamento do vulcão Krasheninnikov, localizado na remota Península de Kamchatka, no leste da Rússia. A estrutura geológica permaneceu sem atividade eruptiva conhecida por aproximadamente 475 anos — desde por volta de 1550 —, voltando a dar sinais de vida após o intenso abalo sísmico. O fenômeno raro passou a ser monitorado detalhadamente do espaço pela Nasa e pela agência espacial da Índia por meio do satélite NISAR.
Cientistas reuniram imagens capturadas pelo satélite a cerca de 747 quilômetros de altitude e criaram um vídeo em time-lapse (acelerado) que revela o avanço da rocha derretida. As observações indicam que a lava começou preenchendo as depressões e crateras mais profundas da montanha para, em seguida, transbordar e descer pelas encostas em formato de leque.
Monitoramento por radar e alerta para a aviação
A tecnologia empregada pelo satélite utilza radar de abertura sintética (SAR) e micro-ondas, permitindo registrar imagens precisas da superfície mesmo durante a noite ou através de densas camadas de nuvens. Como as rochas derretidas refletem as micro-ondas de forma mais brilhante que o solo ao redor, a lava aparece em destaque nas capturas. Os dados revelaram dois caminhos principais percorridos pelo material vulcânico: o fluxo primário, em direção ao leste, e uma rota secundária a noroeste, o que sugere que o vulcão já liberava lava antes da primeira passagem do satélite.
Durante a fase inicial da erupção, foram registradas colunas de cinzas vulcânicas que atingiram entre 3 e 4 quilômetros de altitude, com algumas emissões mais fortes alcançando de 8 a 10 quilômetros acima do nível do mar. A intensidade das nuvens de cinzas levou as autoridades a elevarem temporariamente o nível de alerta para a navegação aérea na região.
Apesar da forte coincidência temporal entre o tremor e o início do vazamento de lava, pesquisadores explicam que abalos sísmicos dessa magnitude podem alterar as tensões no sistema geológico do vulcão, servindo como uma explicação provável, mas ainda sujeita a estudos para confirmação definitiva de causa e efeito. O monitoramento contínuo prossegue para acompanhar a evolução do monte e compreender a retomada de atividade de estruturas adormecidas por séculos.