O cenário é de profunda tristeza no interior de Minas Gerais. Com o solo encharcado e novos alertas de temporal, o Corpo de Bombeiros corre contra o tempo em oito frentes de trabalho para localizar desaparecidos e amparar milhares de famílias que perderam tudo.
A natureza castigou com força a região da Zona da Mata mineira nos últimos dias. O balanço mais recente divulgado pelo Corpo de Bombeiros traz um número que dói no coração de todos os brasileiros: 55 pessoas perderam a vida em decorrência dos temporais. A situação é crítica, e o esforço para salvar vidas não para, com equipes trabalhando dia e noite em uma operação de guerra que mobiliza oito frentes de resgate simultâneas.
O epicentro dessa tragédia está em Juiz de Fora, onde o volume de água superou marcas históricas. Na cidade, 49 mortes foram confirmadas e 11 pessoas ainda são procuradas sob os escombros e a lama. O drama humano é visível em bairros como o Esplanada, onde a queda de um prédio de três andares soterrou uma família inteira; até agora, quatro corpos foram recuperados naquele local. Além das perdas fatais, o município contabiliza cerca de 3 mil moradores desalojados — pessoas que tiveram que sair de casa apenas com a roupa do corpo, buscando abrigo em casas de parentes ou amigos.
Em Ubá, a situação também é de emergência máxima. São seis mortes confirmadas e dois desaparecidos. Diferente de Juiz de Fora, Ubá já enfrenta o desafio de lidar com 500 desabrigados — pessoas que não têm para onde ir e dependem totalmente da assistência pública e de abrigos municipais — além de 1,2 mil desalojados. Já em Matias Barbosa, embora o susto tenha sido grande e 810 pessoas tenham deixado suas residências, felizmente não houve registro de óbitos.
Tecnologia e persistência no resgate Para tentar encontrar sobreviventes ou dar um fechamento às famílias dos desaparecidos, a operação conta com o que há de mais avançado. Além da força bruta das retroescavadeiras e da precisão dos cães farejadores, técnicos da Anatel estão em campo utilizando tecnologia de ponta para rastrear sinais de celulares sob os escombros, o que ajuda a demarcar áreas prioritárias para as buscas.
Os militares do 12º Batalhão de Bombeiros, muitos vindos de Patos de Minas para reforçar o time, trabalham em sistema de revezamento 24 horas. O canil de Varginha também foi deslocado para a região, somando esforços em uma luta constante contra o tempo e o clima instável. O momento é de solidariedade e de alerta máximo, já que o solo instável ainda oferece riscos de novos deslizamentos.