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Tragédia na BR-423: ônibus tombado no Agreste de Pernambuco deixa 15 mortos e 17 feridos

Foto: PRF
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Em viagem de compras para a Bahia, veículo de fretamento sofreu perda de controle em trecho sinuoso de serra, e investigações apontam falha mecânica como provável causa — motorista descartado consumo de álcool.

Na noite de sexta-feira (17 de outubro de 2025), um ônibus de turismo que transportava cerca de 30 pessoas tombou no km 126 da rodovia federal BR-423, entre os municípios de Saloá e Paranatama, no Agreste de Pernambuco. O acidente resultou em 15 mortes — 11 mulheres e quatro homens — e 17 feridos, de acordo com os dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Circunstâncias do acidente

O veículo transportava passageiros que haviam saído da Bahia com destino a compras no polo têxtil de Santa Cruz do Capibaribe (PE) e retornavam à Bahia no momento da tragédia.

Segundo a PRF, a dinâmica preliminar indica que o ônibus invadiu a contramão, atingiu rochas à margem da rodovia, retornou à pista e colidiu contra um barranco de areia antes de tombar. A força do impacto fez com que passageiros fossem arremessados para fora — o que acende o alerta sobre o uso ou não do cinto de segurança no momento da batida.

O trecho onde ocorreu o acidente é conhecido por sua geografia acidentada: curvas acentuadas, descidas em serra (segmento popularmente chamado de “Serra dos Ventos”), o que exige atenção redobrada de condutores e veículos com carga de passageiros.

Motorista e investigação: álcool não foi fator, falha mecânica entra em cena

A atuação da PRF apontou que o motorista passou por teste do bafômetro, com resultado negativo para consumo de bebida alcoólica. Portanto, o álcool foi descartado como causa.

Em depoimento, o condutor relatou suspeitar de uma falha no sistema de freios como gatilho para a perda de controle do veículo. A empresa de fretamento confirmou que o ônibus tinha documentação regular e que a autorização de transporte estava válida.

A investigação segue com perícia administrativa da PRF e laudo do Instituto de Criminalística para determinar oficialmente a causa, que pode envolver falha mecânica, uso de freios, condições da via, estado do veículo e comportamento dos ocupantes.

Vítimas, socorro e atuação das autoridades

Das 17 pessoas feridas, duas estavam em estado grave e foram encaminhadas à unidade de terapia intensiva do Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns (PE).

O atendimento envolveu equipes do SAMU, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, entre outros. A rodovia ficou totalmente interditada desde as 19h45 da sexta-feira até cerca de 4h da manhã do sábado para permitir os trabalhos de resgate, perícia e remoção dos corpos.

Governadores dos estados de Pernambuco e da Bahia se manifestaram, ofereceram apoio e colocaram os órgãos estaduais à disposição para ajudar no socorro, identificação e assistência aos familiares.

Importância das condições de segurança e manutenção

Este acidente reforça pontos críticos na segurança do transporte rodoviário de passageiros: a necessidade de manutenção rigorosa dos veículos (sistemas de freio, pneus, suspensão), uso adequado de cintos de segurança, capacitação de motoristas e atenção especial em trechos de serra ou vias sinuosas.

Dados já mostram que, em casos similares envolvendo ônibus e transporte coletivo, a falta de manutenção ou as condições adversas da via aumentam o risco de tombamentos. Em outros acidentes rodoviários graves no Brasil, falhas de freio também foram apontadas como causas determinantes.

Conclusão

A tragédia na BR-423 traz mais do que a constatação de um número de vítimas — ela exige reflexão sobre segurança, fiscalização, manutenção e transporte coletivo fora dos grandes centros urbanos. A investigação determinará responsabilidades, mas já evidencia que álcool não foi o fator principal, e sim uma provável falha mecânica somada a um trecho de alto risco. Para as famílias, o momento é de luto; para as autoridades, de resposta; e para o transporte de passageiros, de alerta reforçado.