Ex-presidente dos Estados Unidos volta a se envolver na polêmica sobre o controle da rede social chinesa e afirma que negócio depende de aval de Xi Jinping para ser concretizado
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (29) que já há um comprador pronto para adquirir as operações do TikTok nos Estados Unidos, mas que a negociação depende agora da aprovação do governo chinês. A declaração reacende os debates sobre segurança nacional, soberania digital e a tensão comercial entre EUA e China envolvendo a popular rede social.
Durante um evento político, Trump declarou que a venda do TikTok, que pertence à empresa chinesa ByteDance, está encaminhada e que o comprador seria uma “empresa maravilhosa”, sem revelar nomes. “Temos um grande comprador, alguém que todos conhecem, alguém muito respeitado. Agora, só precisamos que o presidente Xi Jinping diga ‘ok’, e tudo estará resolvido”, afirmou.
A possível transação ocorre em um momento em que o TikTok enfrenta pressão crescente nos EUA. Em abril de 2025, o presidente Joe Biden sancionou uma lei que obriga a ByteDance a vender o TikTok no país em até nove meses, sob o risco de banimento. A justificativa do governo americano é a proteção de dados dos usuários e a segurança nacional, já que o aplicativo é acusado de repassar informações sensíveis ao governo chinês — algo que a empresa nega.
Essa não é a primeira vez que Trump se envolve diretamente com o futuro do TikTok. Ainda durante seu mandato, em 2020, ele já havia tentado forçar a venda da rede social para empresas norte-americanas, em uma tentativa frustrada de passar o controle da plataforma a companhias como Oracle e Walmart.
A retomada do assunto por Trump agora, enquanto disputa a presidência em uma campanha acirrada contra Biden, tem sido interpretada por analistas como um aceno à sua base mais nacionalista e como um reforço à sua retórica de enfrentamento com a China.
A identidade do suposto comprador ainda é desconhecida, mas especulações apontam para empresas de tecnologia e conglomerados de mídia americanos. Segundo fontes próximas ao processo, o governo chinês resiste à ideia de venda forçada, considerando que a operação fere princípios de soberania empresarial e cria um precedente perigoso para companhias chinesas no exterior.
Caso a venda seja concretizada, o TikTok poderá continuar operando nos Estados Unidos sob gestão totalmente americana. No entanto, se o governo chinês vetar a transação, a ByteDance poderá enfrentar a retirada do aplicativo das lojas americanas de apps, o que afetaria diretamente seus cerca de 170 milhões de usuários no país.
O impasse permanece, e o desfecho dependerá não só das negociações comerciais, mas também dos interesses geopolíticos entre as duas maiores potências do planeta.