O ex-presidente dos EUA celebrou um pacto tarifário e de investimentos com Tóquio, prometendo reduzir tarifas de importação para 15%, criar empregos e fortalecer laços estratégicos, enquanto o premiê japonês avalia a repercussão política.
Na terça-feira, 22 de julho de 2025, Donald Trump anunciou em Washington um extraordinário acordo comercial com o Japão, que classificou como “o maior da história”.
Principais pontos do acordo:
- Redução de tarifas: As tarifas norte-americanas sobre importações japonesas — incluindo automóveis — serão fixadas em 15%, contra a alíquota anterior de até 27,5%, e o imposto previsto para agosto também cai de 25% para 15%.
- Investimentos bilionários: O Japão se comprometeu a investir cerca de US$ 550 bilhões nos EUA sob um mecanismo que visa garantir que 90% dos lucros fiquem no território norte-americano, com geração de “centenas de milhares de empregos” .
- Setores beneficiados: O acordo inclui compras de 100 aeronaves da Boeing, aumento de gastos japoneses com defesa para US$ 17 bilhões ao ano, investimentos em cadeias produtivas nos setores de farmacêuticos e semicondutores, além de compras agrícolas — com incremento de 75% em importações de arroz e outros produtos.
- Energia e cooperação estratégica: O pacto prevê ainda uma joint-venture para produção de gás natural liquefeito no Alasca e cooperação militar reforçada, embora a negociação de armamentos tenha sido evitada nos detalhes.
Reação do Japão
O principal negociador japonês, Ryosei Akazawa, descreveu o acordo como uma “missão cumprida”. O primeiro-ministro Shigeru Ishiba, pressionado após a derrota eleitoral no senado, ressaltou que ainda analisará o acordo e ponderará se permanecerá ou não no cargo. Por sua parte, o mercado reagiu com otimismo: o índice Nikkei subiu cerca de 3,5% a 4%, com valorização expressiva das montadoras japonesas, como Toyota (≥11%) e Honda (≈14%).
Contexto e implicações
- Tarifas recíprocas estratégicas: O acordo sucede meses de tensão, quando Trump impôs tarifas de até 25/27,5% sobre produtos japoneses em abril, como forma de pressionar o país a reduzir barreiras comerciais; o pacto reduz parcialmente esse impacto.
- Visão de Trump: No evento, Trump celebrou o pacto como parte de sua política tarifária ampla e afirmou que pretende firmar acordos com outros países, incluindo Filipinas, Indonésia e União Europeia — todos com tarifas recíprocas em torno de 15% a 19%.
- Críticas domésticas: Organizações da indústria automotiva dos EUA criticaram a isenção preferencial para produtos japoneses, alegando concorrência desigual com veículos produzidos na América do Norte.
- Plano futuro: A administração Trump tem até 1º de agosto para formalizar e estender os acordos, especialmente com a Europa