Governo acusa instituição de não combater antissemitismo e pressiona financeiramente universidades consideradas “dominadas pela esquerda radical”
O governo de Donald Trump iniciou um processo que pode tornar a Universidade de Harvard inelegível para receber financiamento federal e fechar contratos com agências governamentais. A medida foi anunciada pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA após alegações de que a instituição não teria lidado de forma adequada com casos de discriminação e assédio contra estudantes judeus e israelenses.
Harvard terá 20 dias para solicitar uma audiência administrativa. Caso a decisão avance, a universidade pode perder acesso a bilhões de dólares em bolsas e pesquisas, em meio a uma disputa que já foi parar na Justiça. Recentemente, uma juíza determinou que a administração Trump havia cortado ilegalmente mais de US$ 2 bilhões em recursos, acusando o governo de usar o antissemitismo como justificativa para atacar universidades de elite.
Trump pressiona Harvard e outras instituições, que segundo ele estariam dominadas por ideologias antissemitas e de esquerda radical. O ex-presidente chegou a sugerir que Harvard deveria pagar pelo menos US$ 500 milhões para encerrar a disputa. Por outro lado, manifestantes, incluindo grupos judeus, defendem que críticas à ofensiva de Israel em Gaza e à ocupação palestina não podem ser confundidas com antissemitismo.
A universidade ainda não se manifestou oficialmente sobre o novo processo, mas já declarou anteriormente que tem compromisso em combater a discriminação em seu campus.