Em reunião com dezenas de embaixadores, o ministro Kassio Nunes Marques anunciou estrutura conjunta para conter a desinformação e proteger a integridade do voto.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contará com uma “sala de situação” composta por representantes das principais empresas de tecnologia (big techs) durante os finais de semana do primeiro e do segundo turno das eleições de 2026. A medida foi anunciada pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, em um encontro com diplomatas e representantes internacionais no auditório do tribunal, em Brasília.
De acordo com o presidente do TSE, as plataformas digitais firmaram o compromisso de estar presencialmente na sede do tribunal para acompanhar o fluxo de dados em tempo real. A intenção principal é conter a disseminação de informações falsas, conter ameaças ao pleito e barrar publicações que busquem interferir na decisão do eleitor no momento considerado mais decisivo da votação.
A iniciativa faz parte de um conjunto de planos de conformidade previamente apresentados pelas próprias empresas de tecnologia à Justiça Eleitoral. Tais documentos detalham mecanismos de moderação, prevenção e combate a conteúdos nocivos, atendendo às regras fixadas pelo tribunal para a segurança das campanhas.
Durante a apresentação aos diplomatas — que contou com a presença confirmada de 57 embaixadores, além de autoridades da ONU e da União Europeia —, Nunes Marques ressaltou a tradição e a robustez do sistema eleitoral brasileiro. O ministro destacou que o país é uma referência global em tecnologia aplicada às urnas e citou também a criação de uma comissão permanente no TSE dedicada a avaliar os impactos da inteligência artificial generativa e do uso de deepfakes na disputa eleitoral.
Com a criação do espaço de monitoramento contínuo nos dias de votação, o Tribunal Superior Eleitoral busca estreitar a cooperação direta com os provedores de aplicação para garantir respostas ágeis a eventuais irregularidades no ambiente digital.