google.com, pub-6509141204411517, DIRECT, f08c47fec0942fa0

Revista Nova Imagem - Portal de Notícias

Nos acompanhe pelas redes sociais

Turista gaúcha é presa por racismo e causa revolta ao exigir delegado branco em Salvador

Imagem: Reprodução/Redes sociais
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on email

O clima de festa e celebração cultural no Pelourinho, um dos cartões-postais mais emblemáticos de Salvador, foi manchado por um episódio lamentável de discriminação. Na última quarta-feira (21), uma turista vinda do Rio Grande do Sul, identificada como Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, foi presa em flagrante sob a acusação de injúria racial contra uma comerciante que trabalhava em um evento gratuito na Praça das Artes.

De acordo com os relatos colhidos no local e confirmados pela Polícia Civil, a confusão começou quando a vítima, identificada apenas como Hanna, estava recolhendo baldes de bebidas de uma mesa. Sem qualquer motivo ou interação prévia, a turista teria disparado frases ofensivas, chamando a trabalhadora de “lixo”. Ao ser questionada sobre a agressão verbal, Gisele teria reafirmado o insulto, olhado nos olhos da comerciante e dito: “Eu sou branca”. O ato de covardia culminou com a turista cuspindo no rosto da vítima antes de tentar se afastar.

Resistência e comportamento na delegacia A agressividade não parou na abordagem policial. Após ser detida pela Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), a gaúcha — que se apresenta nas redes sociais como criadora de conteúdo para viajantes — manteve a postura discriminatória dentro da unidade policial. Em um gesto que chocou as autoridades, ela exigiu ser atendida exclusivamente por um delegado de pele branca, recusando-se a colaborar inicialmente com os agentes negros da equipe.

O delegado Ricardo Amorim, responsável pelo caso, destacou que a conduta da suspeita reforça o crime de racismo. Vale lembrar que, desde o início de 2023, a lei brasileira equiparou a injúria racial ao crime de racismo, tornando-o inafiançável e imprescritível, com penas que podem chegar a cinco anos de reclusão.

Contraste e repercussão Um detalhe que gerou forte indignação nas redes sociais é que, dias antes do ocorrido, Gisele postou fotos sorridentes ao lado de baianas típicas e integrantes do tradicional bloco Filhos de Gandhy, símbolos máximos da cultura negra e da resistência de Salvador. Para muitos internautas e moradores da capital baiana, o comportamento demonstra um “turismo de fachada”, onde a cultura local é usada apenas como cenário para fotos, enquanto as pessoas que a constroem são alvo de preconceito.

Gisele Madrid permanece custodiada e deve passar por audiência de custódia nesta sexta-feira (23), onde a Justiça decidirá se ela responderá ao processo em liberdade ou se a prisão será mantida. A defesa da acusada ainda não se manifestou oficialmente, mas o espaço segue aberto.