Bruxelas prorroga suspensão de retaliações, mas mantém arsenal pronto diante de ameaça de 30% de Donald Trump
A União Europeia (UE) está finalizando um pacote de retaliações no valor de €21 bilhões (aproximadamente US$ 24,5 bilhões) em tarifas sobre produtos dos EUA, que será implementado caso não se alcance um acordo com Washington até o dia 1.º de agosto. A medida foi anunciada por Antonio Tajani, ministro das Relações Exteriores da Itália, enquanto a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prolongou a suspensão dessas contramedidas até o início de agosto, na expectativa de um desfecho positivo nas negociações.
Contexto da ameaça tarifária
No último sábado (12), o presidente dos EUA, Donald Trump, decretou a imposição de uma tarifa geral de 30 % sobre todos os produtos importados da UE a partir de 1.º de agosto, somando-se às taxas já vigentes sobre aço, alumínio, automóveis e peças (variando de 25% a 50%). Bruxelas expressou preocupação quanto ao impacto dessa medida, ressaltando que tarifas tão altas seriam “prohibitivas” para o comércio transatlântico.
Estratégia da UE: negociação com firmeza
A abordagem adotada por Bruxelas combina diplomacia e preparação para retaliação. Von der Leyen destacou que o bloco segue empenhado em alcançar um acordo, mas reforçou que está pronto para reagir caso as negociações fracassem, com um segundo pacote ainda maior — potencialmente de €72 bilhões — já em estudo. Autoridades de países como Dinamarca, Itália, França e Alemanha defendem ser necessário “preparar-se para a guerra”, mesmo mantendo a esperança de evitar a escalada .
Comissários europeus reforçam que as discussões com interlocutores americanos seguem em andamento e que há expectativa por um resultado “bom para ambos os lados”, alertando, porém, que é imprescindível estarem preparados caso precise-se recorrer às contramedidas. O Ministro do Comércio da França, Laurent Saint‑Martin, defendeu inclusive a possibilidade de aplicar medidas sobre serviços norte-americanos e invocar o “instrumento anti‑coerção” da UE, destinado a lidar com pressões econômicas de terceiros.
Impactos esperados e próximas etapas
Especialistas alertam que tarifas tão elevadas afetariam gravemente a cadeia de suprimentos, prejudicando setores como automóveis, aço, alumínio, eletrônicos e farmacêuticos, tanto na Europa quanto nos EUA . Considerando que a União Europeia exportou mais de €532 bilhões em bens para os EUA em 2024, a imposição desses tributos poderia desestabilizar mercados, pressionar cadeias produtivas e afetar preços para consumidores.
Até a manhã de segunda-feira, 14 de julho, Europeu e EUA decidiam se um entendimento seria alcançado no prazo para evitar o início das tarifas. O bloco permitirá mais dias de diálogo enquanto mantiver o plano de defesa ativo.