Após dois anos no topo, instituição paulista cai para segundo lugar no QS 2026, enquanto Brasil mantém maior número de universidades no ranking
A Universidade de São Paulo (USP) foi desbancada da liderança entre as instituições de ensino superior da América Latina segundo o QS World University Rankings 2026: América Latina e Caribe, divulgado em 1º de outubro de 2025. A Pontifícia Universidade Católica do Chile (UC) lidera agora o ranking da consultoria britânica, enquanto a USP ocupa o segundo lugar — embora permaneça a universidade brasileira melhor colocada.
O QS avaliou 492 universidades de 26 países da região, levando em conta critérios como reputação acadêmica, empregabilidade, impacto da pesquisa, número de citações por docente, internacionalização e colaborações externas.
Entendendo a mudança de posição
Apesar da queda para o segundo lugar, a USP destaca que os dados usados no ranking correspondem ao desempenho observado em 2023, não refletindo contratações, iniciativas e mudanças mais recentes nos indicadores da universidade. Segundo comunicado da USP, um dos critérios — a proporção de alunos por professor, por exemplo — ainda não incorpora as contratações feitas nos últimos meses.
Em termos de pontuação, a USP alcançou 99 pontos (em uma escala de 100) e liderou em quatro dos oito indicadores avaliados: reputação acadêmica, rede internacional de pesquisa, publicações por docente e impacto na web.
Do lado chileno, a UC vem crescendo em indicadores de empregabilidade e visibilidade global, o que permitiu à instituição ultrapassar a USP.
Posicionamento de universidades brasileiras no ranking
Mesmo com a mudança no topo, o Brasil continua sendo o país mais representado no ranking da QS para a América Latina e Caribe, com 130 instituições listadas, ou seja, o dobro de países como México e Colômbia.
Outras brasileiras bem colocadas no top 10 da região incluem:
- Unicamp — 3ª posição
- UFRJ — 5ª posição
- Unesp — 6ª posição (empatada com a Universidade do Chile)
Esses resultados demonstram que, embora a USP tenha sido superada, o ecossistema universitário brasileiro segue forte e competitivo na América Latina.
Reflexos e implicações da nova classificação
A mudança no ranking é simbólica, mas carrega mensagens importantes:
- Maior competição regional: universidades em países como Chile, México e Argentina estão investindo fortemente em pesquisas, colaboração internacional e visibilidade global, o que pressiona instituições brasileiras a renovar estratégias.
- Validade dos rankings: análises como essa são importantes referências, mas não capturam, necessariamente, avanços recentes ou qualidades intangíveis da instituição.
- Impacto para estudantes e mercado: notas mais altas em rankings podem aumentar o valor percebido do diploma, facilitar colaborações internacionais e atrair estudantes e corporações para parcerias.
- Desafio para a USP: manter, atualizar e demonstrar resultados consistentes nos indicadores usados nos rankings — especialmente em reputação acadêmica e empregabilidade — será essencial para reconquistar o topo.
Para além da América Latina, no ranking global da QS 2026, a USP figura entre as melhores instituições brasileiras, com posição entre 100 e 120 (108ª colocação), o que mostra que segue competição acirrada no cenário mundial.