Pesquisadores desenvolvem imunização capaz de reduzir o risco de retorno de tumores agressivos; estudo traz esperança para pacientes e médicos.
Uma vacina experimental contra cânceres de pâncreas e intestino tem mostrado resultados animadores em estudos recentes conduzidos por cientistas da Alemanha e dos Estados Unidos. O tratamento, que ainda está em fase de testes clínicos, utiliza a tecnologia do RNA mensageiro (mRNA) – a mesma empregada em vacinas contra a Covid-19 – para estimular o sistema imunológico a reconhecer e combater células tumorais específicas.
Os primeiros resultados foram publicados em revistas científicas de prestígio e indicam que a vacina pode reduzir significativamente o risco de recorrência do câncer em pacientes que já passaram por cirurgia e outros tratamentos convencionais. No caso do câncer de pâncreas, considerado um dos mais letais do mundo devido à dificuldade de diagnóstico precoce e à rápida progressão da doença, a novidade representa um avanço de grande impacto.
De acordo com especialistas, a estratégia da vacina é ensinar o organismo a identificar fragmentos de proteínas (os chamados neoantígenos) produzidos pelas células cancerígenas. Assim, o sistema imunológico passa a reconhecê-las como inimigas e a combatê-las de forma mais eficaz, reduzindo a chance de que o tumor volte a crescer após os tratamentos iniciais.
No estudo, parte dos pacientes que receberam a imunização experimental apresentou resposta imune duradoura, com redução expressiva no risco de recaída. Embora ainda não exista uma previsão de quando a vacina poderá ser disponibilizada ao público, os resultados vêm sendo celebrados pela comunidade médica.
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de intestino está entre os mais incidentes no Brasil, enquanto o de pâncreas, apesar de menos comum, figura entre os mais agressivos e letais. Por isso, a perspectiva de uma ferramenta preventiva contra a recorrência dessas doenças é vista como um marco importante na oncologia.
Os pesquisadores alertam, no entanto, que o caminho até a aprovação definitiva ainda é longo. Serão necessários novos estudos, com mais pacientes e acompanhamento a longo prazo, para comprovar de forma definitiva a eficácia e a segurança da vacina. Mesmo assim, a descoberta já reacende a esperança de transformar a forma como esses cânceres são tratados nos próximos anos.
Fonte: G1