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Vendaval Histórico Paralisa São Paulo e Causa Caos Aéreo Sem Precedentes

Foto: @najudabahia/X-Reprodução
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Rajadas de Vento de Quase 100 km/h Foram Classificadas como Inéditas por Meteorologistas; Mais de 340 Voos Cancelados Atingem Milhares de Passageiros em Congonhas e Guarulhos.

São Paulo viveu dias de transtorno e apreensão após a passagem de um vendaval classificado como “histórico” e “atípico” por especialistas em meteorologia. O evento, provocado pela entrada de um ciclone extratropical no país, gerou uma desorganização na malha aérea e na infraestrutura urbana que não se via há anos na capital e região metropolitana.

O Caos nos Aeroportos Paulistas

O impacto mais imediato foi sentido pelos milhares de passageiros que tentavam embarcar ou desembarcar nos dois principais terminais do estado: o Aeroporto de Congonhas (CGH) e o Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU). No balanço geral, o sistema aéreo paulista registrou mais de 340 voos cancelados e alterados entre a última quarta-feira (10) e a manhã de quinta-feira (11) de dezembro.

O Aeroporto de Congonhas, o mais central e crucial para a ponte aérea, foi o epicentro do problema. Registros da concessionária Aena indicam que, somente em Congonhas, 227 voos foram afetados, incluindo pousos e decolagens. A situação gerou cenas de extremo desconforto, com longas filas, saguões lotados e passageiros desorientados buscando remarcações. Em um dos relatos, passageiros chegaram a esperar por mais de sete horas em filas para serem atendidos pelas companhias aéreas.

Em Guarulhos, principal porta de entrada internacional do país, a situação também foi crítica, com 117 voos comprometidos. As rajadas de vento foram tão fortes que, por segurança, muitas aeronaves tiveram seus destinos alterados para outros aeroportos, forçando uma complexa readequação em toda a logística aérea nacional. Companhias como Gol e Latam se pronunciaram, lamentando os transtornos causados por uma situação “alheia ao seu controle” e oferecendo flexibilidade para que os clientes pudessem alterar seus bilhetes sem custo adicional.

Vento Atípico e Danos Generalizados

O que mais surpreendeu os meteorologistas foi a intensidade e a natureza do fenômeno. As rajadas de vento chegaram a incríveis 96,3 km/h no pátio de Congonhas, e em outros pontos da cidade superaram os 98 km/h. Segundo especialistas, é incomum que ventos com tamanha força atinjam a região sem estarem associados a tempestades intensas ou chuvas volumosas, o que ressaltou o caráter inédito do evento.

Os danos, no entanto, não se limitaram à malha aérea, atingindo toda a infraestrutura urbana da Grande São Paulo em um efeito cascata.

  • Blecaute em Massa: A interrupção no fornecimento de energia elétrica foi talvez o problema mais grave. Mais de 2 milhões de imóveis chegaram a ficar sem luz, com a concessionária Enel mobilizando centenas de equipes para tentar restabelecer o serviço, que ainda estava comprometido para mais de 1,5 milhão de clientes na manhã seguinte ao vendaval. A falta de luz, por sua vez, afetou hospitais, estações de bombeamento de água (Sabesp), deixando o abastecimento comprometido em diversas áreas.
  • Estragos na Cidade: O Corpo de Bombeiros recebeu mais de 1.300 chamados apenas para quedas de árvores na capital e Grande São Paulo. Semáforos ficaram apagados, o trânsito ficou caótico, e a prefeitura precisou suspender eventos de Natal, além de fechar temporariamente parques municipais, incluindo o Parque Ibirapuera, por questões de segurança. Até mesmo a decoração natalina da Avenida Paulista foi danificada pela força do vento.

Enquanto a operação nos aeroportos gradualmente retorna à normalidade, com as companhias readequando a malha aérea, a cidade de São Paulo ainda lida com os reflexos da ventania, principalmente o lento processo de restabelecimento da energia, que se tornou a prioridade máxima das autoridades e concessionárias.