A partir de setembro e outubro de 2025, tirar o visto americano exigirá entrevista para quase todos, valor extra de US$ 250 e abertura das redes sociais, reforçando a segurança do processo.
Viajar para os Estados Unidos vai exigir, a partir dos próximos meses, mais tempo, dinheiro e paciência. O governo americano anunciou uma série de mudanças importantes no processo de solicitação dos vistos que, juntas, tornam o procedimento mais rigoroso e oneroso.
Entrevista presencial agora é obrigatória
A partir de 2 de setembro de 2025, todos os solicitantes de visto de não-imigrante — como turismo (B-2), negócios (B-1), estudo (F-1) ou intercâmbio (J-1) — terão que comparecer pessoalmente à entrevista nos consulados ou na Embaixada dos EUA no Brasil.
Antes, estavam dispensados de entrevista os menores de 14 anos, idosos com mais de 79 anos, e algumas renovações de vistos turísticos, caso o documento anterior tivesse expirado há menos de 12 meses. Agora, mesmo essas exceções precisam atender a critérios rígidos: ter ciência de que a dispensa só é válida se o pedido for feito no país de residência, sem histórico de recusa e sem sinais de ineligibilidade.
Nova taxa “Visa Integrity Fee”: o valor subiu
A partir de 1º de outubro de 2025, será cobrada uma nova taxa em todos os vistos de não-imigrante: US$ 250, além dos US$ 185 já existentes. Essa cobrança, chamada Visa Integrity Fee, será paga somente se o visto for aprovado — e pode aumentar o valor total da emissão além de US$ 435 (com o I-94), o que já ultrapassa R$ 2.500.
Redes sociais à vista das autoridades
Estudantes, intercambistas e candidatos a vistos de trabalho temporário terão agora que deixar seus perfis pessoais em redes sociais configurados como públicos durante o processo. A medida facilita a verificação da conduta online do solicitante, permitindo identificar possíveis riscos à segurança ou inconsistências.
Por que essas mudanças?
Especialistas apontam que essas exigências foram adotadas para coibir fraudes e pedidos fracos — ou seja, solicitantes que não têm intenção real de viajar ou não demonstram perfil econômico condizente com a viagem. A nova taxa, estima-se, gerará entre US$ 25 e US$ 40 bilhões em dez anos para financiar operações consulares e políticas de imigração mais rígidas.
Alguns analistas veem essas mudanças como reflexo de um cenário diplomático tenso entre Brasil e Estados Unidos em 2025 — desde tarifas aumentadas até restrições de vistos a autoridades brasileiras — o que pode incluir também um uso estratégico do visto como instrumento de pressão.