Ator baiano e premiado em Cannes protagoniza adaptação contemporânea de Ibsen sob direção de Christiane Jatahy
Após 16 anos afastado dos palcos, o ator baiano Wagner Moura se prepara para um retorno grandioso ao teatro — e a escolha de Salvador para marcar esse reencontro não é por acaso. A estreia da peça “O Julgamento”, adaptação moderna de “Um Inimigo do Povo”, clássico de Henrik Ibsen (1882), está prevista para o início de outubro de 2025, com previsão de apoio do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) como patrocinador.
A proposta de Moura e da diretora Christiane Jatahy é revisitar o texto de Ibsen com abordagem atual, mantendo o conflito central entre ética, ciência e poder político-econômico: a trama trata de um médico que descobre águas contaminadas em uma cidade turística e enfrenta resistência da elite local para revelar a verdade.
Para Moura, a peça dialoga diretamente com o tema de seu premiado filme “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, vencedor também em Cannes este ano. Ele conta que pensou em adaptar o texto de Ibsen para o cinema por muitos anos e agora vê no teatro a chance de concretizar esse desejo.
Choque de gerações artísticas
A direção de Jatahy — reconhecida por transformações contemporâneas de clássicos — casa com a visão de Moura de reinventar a narrativa e provocar reflexões urgentes sobre responsabilidade moral e estrutura social.
O retorno de Moura — que em 2025 se tornou o primeiro sul-americano a conquistar o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes por “O Agente Secreto” — representa uma fusão inédita entre carreira internacional e raízes baianas. Além de retornar ao teatro, o ator propõe um diálogo entre dramaturgia consagrada e os desafios políticos e sociais da contemporaneidade.