Após quase três décadas como âncora e editor-chefe, Bonner passará bastão a Tralli, marcando mudanças na grade jornalística da Globo
No dia 1º de setembro de 2025, a TV Globo anunciou oficialmente a saída de William Bonner da bancada do Jornal Nacional — um dos mais icônicos telejornais do Brasil — após 29 anos como apresentador e 26 anos ocupando também a função de editor-chefe. A mudança já vinha sendo planejada há cerca de cinco anos nos bastidores da emissora.
Até quando Bonner permanece no JN
William Bonner permanecerá no comando do telejornal até o dia 3 de novembro de 2025, data em que oficialmente entrega a bancada ao seu sucessor. A partir de 4 de novembro, César Tralli assumirá como âncora do “JN”, dividindo a apresentação com a atual titular Renata Vasconcellos.
Quem é César Tralli e os bastidores da transição
César Tralli, com 54 anos, atualmente assume o posto de âncora do Jornal Hoje e já possui experiência cobrindo edições do JN durante férias de Bonner. A decisão de sua escolha está alinhada à estratégia de renovação planejada pela Globo.
Em nota oficial, Renata Vasconcellos manifestou gratidão a Bonner por anos de parceria e expressou boas-vindas ao novo colega: ela destacou que espera uma “parceria dedicada, competente e cheia de sensibilidade”. Já a direção da Globo reafirmou que mudanças dessa magnitude são feitas com cuidado, considerando o vínculo de confiança que o público tem com o telejornal.
As motivações e o novo papel de Bonner
Fontes próximas à Globo revelam que Bonner vinha manifestando há tempos o desejo de reduzir responsabilidades e a rotina pesada de um telejornal diário de grande porte. Em especial, a perspectiva da cobertura intensa das eleições presidenciais de 2026 pesou em sua decisão: ele não queria mais enfrentar as pressões inerentes ao cargo nesse momento.
A Globo confirmou que a atual editora-chefe adjunta do JN, Cristiana Sousa Cruz, assumirá plenamente a função de editora-chefe após a saída de Bonner. E, a partir de 2026, Bonner fará dupla com Sandra Annenberg no Globo Repórter — um novo capítulo de sua carreira jornalística.
Efeitos na grade e “dança das cadeiras”
A saída de Bonner e a mudança de Tralli provocam uma série de rearranjos na programação da Globo:
- Roberto Kovalick assumirá o comando do Jornal Hoje, no lugar de Tralli.
- O programa Hora Um, que atualmente conta com Kovalick, terá como novo apresentador Tiago Scheuer.
Essas alterações sinalizam uma renovação que vai muito além da troca de âncoras, mas também uma reconfiguração estrutural no jornalismo da emissora.
Um legado e um recomeço
Durante suas três décadas de trajetória no Jornal Nacional, Bonner se consolidou como o âncora mais longevo da história do telejornal, superando recordes anteriores como o de Cid Moreira. Sua decisão de deixar o comando do JN marca o fim de um ciclo intenso no jornalismo diário televisivo.
Para César Tralli, assumir esse posto representa um grande desafio, mas também uma responsabilidade significativa — ele herda um programa com enorme peso simbólico no jornalismo brasileiro. Em suas declarações, Tralli disse que receber o convite foi motivo de alegria e que pretende honrar a missão com dedicação.
A transição ocorrerá de forma gradual até novembro, e o público acompanhará uma nova era no principal telejornal da televisão brasileira.