Masculino e feminino: nova fase de exigência reforça foco na biologia em provas femininas
A partir de 1º de setembro de 2025, atletas que desejem competir na categoria feminina em competições válidas para o ranking mundial, incluindo o Campeonato Mundial de Atletismo, marcado para 13 a 21 de setembro, em Tóquio, deverão se submeter a um teste genético obrigatório. A medida foi confirmada hoje (30/07/2025) pela World Athletics, entidade máxima do atletismo mundial.
Com análise única ao longo da carreira, o teste verifica a presença do gene SRY, marcador do cromossomo Y associado ao desenvolvimento biológico masculino. A coleta pode ser feita por esfregaço bucal (saliva) ou amostra de sangue seco, sendo conduzida pelas federações filiadas.
O presidente da World Athletics, Sebastian Coe, afirmou tratar-se de medida fundamental para garantir que, em nível de elite, apenas atletas biologicamente femininas disputem provas femininas. “Gênero não pode se sobrepor à biologia”, disse Coe, que defendeu a integridade e a igualdade de condições no esporte feminino.
A decisão vem após um grupo de trabalho captar lacunas nas regras vigentes, especialmente diante da participação de atletas trans que passaram pela puberdade masculina — atualmente proibidas — e atletas com DSD (diferenças no desenvolvimento sexual) que têm níveis elevados de testosterona — sujeitos a exigência de redução hormonal antes de competir.
Além disso, a nova política se alinha à adoção prévia de teste SRY pela World Boxing em maio deste ano, como parte de movimento global de reavaliação de critérios biológicos nos esportes femininos.
A medida também acontece em contexto jurídico sensível: o Tribunal Europeu de Direitos Humanos manteve, em julho de 2025, decisão que rejeitou o recurso da atleta Caster Semenya, bicampeã olímpica, que contestava a obrigatoriedade de redução de testosterona para competir como mulher.
Algumas federações e especialistas manifestaram preocupações sobre os aspectos éticos, privacidade e possíveis impactos sobre a saúde e direitos de atletas com DSD — especialmente em países como a Austrália, onde há questionamentos se a testagem poderá ser imposta sem o consentimento explícito da atleta.