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Estamos a caminho de um suicídio planetário, alerta o climatologista Carlos Nobre

Crédito: Mauro Akin Nassor/ Arquivo CORREIO
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Cientista brasileiro expõe a grave situação do clima e os riscos de um aquecimento global irreversível se metas climáticas não forem cumpridas

Carlos Nobre, climatologista de renome mundial e um dos principais autores dos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), tem sido uma voz ativa na luta contra a crise climática. Durante a 29ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP29), em Baku, no Azerbaijão, Nobre alertou para o iminente colapso do clima global, classificando-o como “um suicídio planetário” caso não haja uma redução drástica nas emissões de gases de efeito estufa.

Em sua análise, Nobre destacou que, apesar dos esforços das últimas décadas, o mundo ainda não conseguiu atingir as metas possíveis para conter o aquecimento global. “Já há 16 meses com uma temperatura global elevada em 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Existe o enorme risco de essa temperatura não cair mais”, alertou o climatologista. Segundo ele, a meta de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 43% até 2030, conforme estipulado no Acordo de Paris, é uma solicitação, especialmente considerando que as emissões estão aumentando em muitos países. Ele afirmou que, se a situação não for revertida rapidamente, já que as chances de manter o aumento da temperatura global dentro de 1,5°C tornam-se quase nulas.

Nobre ressaltou que, mesmo com o esforço de redução das emissões, o mundo ainda depende fortemente de combustíveis fósseis, o que contribui para a elevação contínua das temperaturas globais. Se as políticas climáticas não forem aceleradas, ele estima que o planeta poderá atingir até 2,5°C de aquecimento até 2050, um ponto crítico que traria consequências catastróficas para a vida na Terra.

A urgência das metas climáticas

O Brasil, como país-sede da COP30 em 2025, foi um dos poucos países a atualizar suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), reduzindo as metas de emissões para os próximos anos. O vice-presidente Geraldo Alckmin apresentou, durante a COP29, um novo plano de ação climática para o país, com compromissos para uma redução gradual das emissões de gases de efeito estufa. No entanto, o climatologista fez questão de destacar que a COP29 precisa ser um marco decisivo, diferente da COP28, que teve avanços limitados.

Para Nobre, a situação é grave e exige uma resposta global urgente. “Estamos no caminho de um suicídio planetário se não superacelerarmos a redução das emissões”, afirmou, destacando que a adaptação às mudanças climáticas também deve ser uma prioridade. Ele alertou para os “eventos extremos” que têm se intensificado ao redor do mundo, como furacões mais fortes e inundações devastadoras, que têm danos causados ​​​​até em países desenvolvidos. O furacão Leme, por exemplo, matou mais de 200 pessoas nos Estados Unidos e o evento extremo de chuva em Valência, na Espanha, que matou centenas, são apenas alguns exemplos de como as mudanças climáticas já estão afetando a vida de milhões.

Soluções locais e globais

O cientista também enfatizou a importância da adaptação dos países mais vulneráveis, que enfrentam os piores impactos das mudanças climáticas. A falta de políticas públicas eficazes e o financiamento insuficiente das ações climáticas são obstáculos para esses países, mas Nobre acredita que as soluções mais acessíveis já estão ao alcance. Ele citou o exemplo da pecuária sustentável no Brasil, que já oferece carne com redução de emissões de carbono, sem aumentar o custo para o consumidor. O uso de tecnologias renováveis, como a energia solar e os carros elétricos, também tem se mostrado mais econômico do que as alternativas baseadas em combustíveis fósseis.

O futuro que queremos

Carlos Nobre conclui com uma mensagem clara: “Em sociedades democráticas, como a nossa, com liberdade de escolha, adotam práticas sustentáveis ​​faz todo o sentido. E o melhor de tudo é que, muitas vezes, essas são mais vantajosas economicamente.” O climatologista reafirma que é crucial assumir uma liderança no combate às mudanças climáticas e que, ao adotar novas tecnologias e práticas de consumo responsável, todos tenham o poder de contribuir para um futuro mais sustentável.