Procedimento pioneiro devolve sentidos perdidos há mais de dois anos em indivíduos afetados pela COVID-19
Uma cirurgia inovadora tem devolvido os sentidos do paladar e do olfato a pacientes que sofreram perda prolongada dessas funções após infecção por COVID-19. Médicos do University College London Hospitals NHS Foundation Trust (UCLH), no Reino Unido, realizaram com sucesso o procedimento conhecido como septorrinoplastia funcional (fSRP) em 12 pacientes que haviam perdido o olfato e o paladar por mais de dois anos.
O Procedimento: Septorrinoplastia Funcional (fSRP)
Tradicionalmente utilizada para corrigir desvios do septo nasal e melhorar a respiração, a fSRP foi adaptada para ampliar as passagens nasais, permitindo que mais odorantes alcancem a região olfativa do nariz. Essa adaptação visa “despertar” os sentidos do olfato e do paladar em pacientes cuja perda dessas funções persistiu após a infecção por COVID-19. O professor Peter Andrews, que liderou a pesquisa, explicou que a cirurgia aumenta as vias aéreas em aproximadamente 30%, melhorando significativamente o fluxo de ar para a área olfativa.
Resultados Promissores
Todos os 12 pacientes submetidos à cirurgia relataram melhorias significativas no olfato e no paladar. Em contraste, 40% dos pacientes que continuaram com o treinamento olfativo tradicional, sem intervenção cirúrgica, relataram piora nos sintomas. Esses resultados destacam a eficácia potencial da fSRP como tratamento para perdas sensoriais relacionadas à COVID longa.
Depoimento de Paciente
Penelope Newman, de 27 anos, uma das pacientes submetidas à cirurgia, compartilhou sua experiência positiva: “Desde a cirurgia, comecei a gostar de comida e cheiros da mesma forma que costumava gostar. Agora posso cozinhar e comer alho e cebola, e as pessoas também podem cozinhar para mim. Posso sair para comer com meus amigos e familiares.”
Outras Abordagens Terapêuticas
Além da fSRP, outras terapias têm sido exploradas para tratar a perda de olfato e paladar pós-COVID-19. Um estudo conjunto entre o Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e o King’s College Hospital, em Londres, demonstrou a eficácia da fotobiomodulação — uma terapia não invasiva que utiliza luz para estimular a recuperação celular — na restauração dessas funções sensoriais. Vinte pacientes participaram do estudo e, após doze sessões de tratamento intranasal e intraoral, apresentaram melhora significativa na funcionalidade olfativa e gustativa.
Perspectivas Futuras
A introdução de procedimentos como a fSRP e a fotobiomodulação oferece esperança para pacientes que sofrem de perda prolongada de olfato e paladar após a COVID-19. Essas abordagens inovadoras podem se tornar alternativas viáveis aos tratamentos convencionais, especialmente para aqueles que não responderam a terapias tradicionais. Continua-se a pesquisa para aprimorar essas técnicas e torná-las amplamente disponíveis.