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Justiça Suspende Ordem de Trump e Garante Permanência de Milhares de Estudantes Estrangeiros em Harvard

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Vitória Legal para a Universidade Mais Antiga dos EUA Reafirma a Liberdade Acadêmica em Meio a Tensões Políticas

BOSTON, EUA – Uma decisão judicial histórica proferida pela juíza federal Allison Burroughs, do Tribunal Distrital de Massachusetts, suspendeu temporariamente a ordem do governo Trump que ameaçava impedir a matrícula de milhares de estudantes estrangeiros na Universidade de Harvard. A deliberação, anunciada na última sexta-feira (23), representa uma significativa vitória para a instituição e para a comunidade acadêmica internacional, que se viu em meio a uma intensa disputa legal e política.

A controvérsia teve início com a revogação do acesso de Harvard ao Programa de Estudantes e Visitantes de Intercâmbio (SEVP), um banco de dados do governo crucial para a gestão de estudantes estrangeiros nos Estados Unidos. O Departamento de Segurança Interna (DHS) havia emitido a diretriz na quinta-feira, 22 de maio, como parte de uma estratégia mais ampla do governo Trump para pressionar universidades a se alinharem à sua agenda política e implementarem mudanças em práticas de contratação, admissão e ensino, além de lidar com acusações de antissemitismo em seus campi. O governo também teria ameaçado revogar a isenção fiscal de Harvard e congelar bilhões de dólares em subsídios governamentais.

Harvard, a universidade mais antiga e uma das mais ricas e prestigiadas dos EUA, com um corpo discente composto por aproximadamente 7 mil estudantes estrangeiros — o que representa cerca de 27,2% de sua população acadêmica e inclui 318 brasileiros —, reagiu prontamente. A instituição moveu uma ação judicial alegando que a decisão do governo era uma “retaliação clara” e “inconstitucional” por sua recusa em ceder às demandas políticas do governo, violando a Primeira Emenda da Constituição dos EUA. Em documentos judiciais, Harvard argumentou que a medida teria um “efeito imediato e devastador”, ameaçando “apagar um quarto do corpo estudantil” da universidade.

A juíza Allison Burroughs, nomeada durante a administração Obama, concordou com os argumentos de Harvard, afirmando que a universidade “sofreria danos imediatos e irreparáveis” se a certificação fosse revogada antes que o tribunal pudesse analisar o mérito do caso. A decisão provisória impede a imediata expulsão de estudantes e permite que a instituição continue suas operações sem a ameaça iminente de perder sua capacidade de matricular alunos internacionais. Uma conferência remota sobre o caso está agendada para terça-feira (27), e uma audiência para a emissão de uma liminar — que bloquearia a ação do governo até uma decisão final no processo — ocorrerá dois dias depois.

O cientista político brasileiro Hussein Kalout, pesquisador que atuou em Harvard entre 2013 e 2024, classificou a iniciativa do governo Trump como prejudicial à própria imagem dos Estados Unidos e de sua administração. Outros especialistas, como o ex-ministro da saúde alemão Karl Lauterbach, que também foi aluno de Harvard, consideraram a medida um “suicídio da política de pesquisa”, dada a contribuição vital dos estudantes e pesquisadores internacionais para a inovação e o avanço científico no país.

A Casa Branca, por sua vez, reagiu à suspensão da ordem, com a assistente da Secretaria de Segurança Interna para Assuntos Públicos, Tricia McLaughlin, defendendo a postura do governo. “É um privilégio, não um direito, que as universidades matriculem estudantes estrangeiros e se beneficiem de suas mensalidades mais altas para ajudar a aumentar suas dotações multibilionárias”, declarou McLaughlin, reiterando o compromisso do governo Trump em “restaurar o bom senso” ao sistema de vistos estudantis, sugerindo que nenhuma ação judicial mudaria essa posição.

Apesar da postura do governo, o presidente de Harvard, Alan Garber, reafirmou seu apoio aos estudantes internacionais em uma carta aberta à comunidade, classificando a ação do governo como “ilegal” e “injustificada”. “Vocês são nossos colegas e amigos, nossos colegas e mentores, nossos parceiros no trabalho desta grande instituição”, disse Garber, prometendo que a universidade lutará por seus estudantes e fará o máximo para garantir que Harvard “permanecerá aberta ao mundo”.

A suspensão da ordem de Trump traz um alívio imediato para os milhares de estudantes estrangeiros em Harvard, que estavam vivendo um clima de apreensão e incerteza. A decisão também destaca a importância da independência das instituições de ensino superior e o papel do judiciário em balançar os poderes em um cenário político cada vez mais polarizado. A batalha legal, contudo, ainda não terminou, e o desdobramento do caso continuará sendo acompanhado de perto por toda a comunidade acadêmica global.