Levantamento do IBGE mostra avanço na inclusão acadêmica de 2014 a 2024, mas aponta que desafios de acessibilidade e permanência persistem nas universidades.
O acesso de pessoas com deficiência (PCDs) ao ensino superior no Brasil registrou um crescimento expressivo na última década. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de estudantes com deficiência matriculados em cursos de graduação no país quase triplicou entre os anos de 2014 e 2024.
O levantamento, fundamentado em estatísticas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua e em cruzamentos de dados do Censo da Educação Superior, revela uma trajetória ascendente da inclusão. Em 2014, os alunos com alguma deficiência representavam uma parcela modesta do total de universitários brasileiros. Dez anos depois, em 2024, esse grupo expandiu significativamente sua presença nos campi de faculdades e universidades de todas as regiões.
A expansão do ingresso foi impulsionada por políticas públicas voltadas à democratização da educação, como a ampliação da Lei de Cotas (Lei nº 12.711/2012), que passou a incluir expressamente vagas reservadas para pessoas com deficiência nas instituições federais de ensino a partir de 2016. Além das diretrizes afirmativas, o avanço tecnológico e a maior oferta de recursos de tecnologia assistiva também contribuíram para viabilizar a entrada desse público no meio acadêmico.
Desafios de permanência e acessibilidade
Apesar dos avanços observados nos indicadores de acesso, a análise dos dados indica que o ecossistema educacional ainda enfrenta obstáculos para garantir a permanência e a conclusão dos cursos com qualidade. A taxa de conclusão do ensino superior entre pessoas com deficiência permanece inferior à média dos estudantes sem deficiência.
Especialistas e dados do IBGE apontam que a infraestrutura das instituições de ensino ainda demanda adaptações arquitetônicas, pedagógicas e atitudinais. Problemas na acessibilidade física de prédios, na oferta de materiais didáticos adaptados em braille e Libras, e na disponibilidade de profissionais de apoio e suporte especializado continuam entre as principais barreiras enfrentadas diariamente por esses alunos.
O estudo reforça a necessidade de contínuo aprimoramento das políticas de assistência estudantil para que a ampliação no número de matrículas se traduza, de fato, na formação profissional e na efetiva inserção dessas pessoas no mercado de trabalho.