Pesquisa da Febraban Revela Domínio do Mobile Banking e Ascensão Meteórica do Pix, Redefinindo a Relação dos Brasileiros com Suas Finanças
O cenário bancário brasileiro está passando por uma transformação sem precedentes, impulsionada pela digitalização acelerada e pela popularização de novas tecnologias. Um estudo recente, o 2º volume da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2025, conduzida pela Deloitte, revela que 82% de todas as transações bancárias realizadas no Brasil já acontecem por meio de canais digitais – ou seja, mobile banking e internet banking. Este índice representa um crescimento de 8% em relação ao ano anterior, consolidando uma tendência que redefine a forma como os brasileiros interagem com suas finanças.
A pesquisa destaca o protagonismo absoluto do mobile banking, que responde por impressionantes 75% das operações digitais, registrando 155 bilhões de transações em 2024, um aumento de 15%. Dentro desse contexto, o Pix emerge como um dos principais motores da revolução, com quase 25 bilhões de transações realizadas via celular em 2024 – um salto de 41% em comparação com o ano anterior. Em média, os usuários do Pix realizam 55 transações por mês usando o celular, demonstrando a capilaridade e a praticidade que a ferramenta do Banco Central, lançada em novembro de 2020, trouxe para o cotidiano financeiro.
Um Salto Acelerado Pela Pandemia e Impulsionado pela Inovação
A trajetória de digitalização do setor bancário brasileiro é notável. Antes da pandemia de COVID-19, em 2019, as transações digitais já representavam 60% do total. Com o isolamento social e a necessidade de evitar contatos físicos, esse percentual saltou para 70% em 2020 e alcançou 75% em 2021. A chegada do Pix, com sua gratuidade, instantaneidade e disponibilidade 24 horas por dia, 7 dias por semana, atuou como um catalisador decisivo, democratizando o acesso a serviços financeiros e incentivando a adoção digital por milhões de brasileiros.
Essa mudança de comportamento é diretamente proporcional ao declínio dos canais físicos. Agências bancárias e caixas eletrônicos, que outrora eram o centro da atividade bancária, agora respondem por apenas 5% do total de transações em 2024, evidenciando uma reconfiguração profunda na estratégia de atendimento e serviços dos bancos.
Investimento em Tecnologia e Implicações para Bancos e Consumidores
Os bancos brasileiros têm investido massivamente em tecnologia para sustentar essa transformação. Em 2024, os investimentos do setor atingiram R$ 47,4 bilhões, um aumento de 13% em relação a 2023. Esses recursos são direcionados para aprimoramento da segurança cibernética, desenvolvimento de inteligência artificial, análise de dados e, crucialmente, melhoria da experiência do usuário (UX).
Para as instituições financeiras, a alta adesão digital implica uma reestruturação de suas operações. Agências físicas estão sendo readequadas para funcionar mais como centros de consultoria e relacionamento, enquanto os serviços transacionais migram para as plataformas digitais. A prioridade é aprofundar a digitalização e se preparar para o avanço do Open Finance, que promete maior integração e personalização dos serviços bancários.
Do lado dos consumidores, a digitalização trouxe inegáveis benefícios como conveniência, agilidade e acessibilidade. O Pix, em particular, impulsionou a inclusão financeira, alcançando milhões de pessoas que antes estavam à margem do sistema bancário formal. No entanto, o aumento das transações digitais também intensifica os desafios de segurança. Crimes cibernéticos, golpes e fraudes online tornam-se uma preocupação crescente, exigindo que bancos e usuários redobrem a atenção e invistam em medidas de proteção e conscientização. Ações de educação financeira digital e segurança são cruciais para mitigar esses riscos.
Embora a adesão seja massiva, a questão da exclusão digital persiste, afetando principalmente idosos, pessoas com menor escolaridade ou residentes em áreas com acesso limitado à internet. Superar essa “lacuna digital” é um desafio contínuo para garantir que os benefícios da inovação alcancem toda a população.
Com o futuro apontando para a contínua expansão do Open Finance e a integração cada vez maior da inteligência artificial para experiências ainda mais personalizadas, o Brasil se consolida como um dos líderes globais na transformação digital do setor financeiro, prometendo um ecossistema bancário ainda mais dinâmico e inovador.