Ex-presidente americano ameaça cortar incentivos à Tesla e não descarta até deportação de Elon Musk, após o bilionário criticar projeto orçamentário federal
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a intensificar sua retórica contra o CEO da Tesla e SpaceX, Elon Musk, nesta terça-feira (1º). Em post na rede social Truth Social, Trump criticou a regulação do mercado de veículos elétricos e, especialmente, os subsídios concedidos à indústria de Musk.
“Carros elétricos são bons, mas ninguém deveria ser forçado a ter um. Elon talvez receba mais subsídios do que qualquer outro ser humano na história — de longe — e, sem esses subsídios, ele provavelmente teria que fechar as portas e voltar para casa, na África do Sul. Sem mais lançamentos de foguetes, satélites ou produção de carros elétricos — e nosso país economizaria uma fortuna”, declarou Trump.
Trump sugeriu ainda que o seu Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), recém-criado em seu segundo mandato e liderado por Musk entre janeiro e maio de 2025, investigue os incentivos e cortes de gastos do bilionário.
O embate se agravou após Musk criticar o ambicioso projeto orçamentário proposto por Trump, apelidado de “Big, Beautiful Bill” (grande e belo projeto), alertando para o fim de créditos fiscais para consumidores de veículos elétricos. O CEO da Tesla chegou a insinuar a criação de um novo partido político – e Trump reagiu acusando Musk de hipocrisia.
A tensão se refletiu nos mercados: as ações da Tesla caíram cerca de 7% na abertura da Bolsa, em reação direta aos ataques do ex-presidente.
Em meio às críticas, Trump afirmou, em entrevista à imprensa na Casa Branca, que poderia considerar a deportação de Musk, que apesar de cidadão naturalizado dos EUA, nasceu na África do Sul.
“Não sei. Teremos que analisar isso”, disse Trump sobre essa possibilidade. “Talvez tenhamos que impor o DOGE sobre Elon. Sabe o que é DOGE? DOGE é o monstro que pode voltar e devorar o Elon”.
O desentendimento não surgiu por acaso. Musk foi um dos maiores doadores da campanha de Trump em 2024 e chegou a integrar o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), com a missão de reduzir gastos federais em até US$ 2 trilhões — algo que resultou em cortes de pelo menos 26 mil vagas do governo federal. A turning point veio quando o bilionário criticou o pacote orçamentário apoiado por Trump, desencadeando uma série de trocas públicas de ataques.
Anteriormente, outro aliado de Trump, Steve Bannon, chegou a sugerir medidas mais drásticas, como o confisco de contratos federais da SpaceX e a abertura de investigação sobre o status imigratório de Musk — apesar de o CEO já ser cidadão americano por naturalização há mais de duas décadas.
A briga entre ex-presidente e magnata da tecnologia tem potencial para impactar profundamente o setor de mobilidade elétrica nos EUA. O fim dos subsídios pode reduzir significativamente a competitividade da Tesla frente a concorrentes, além de afetar programas como o crédito fiscal federal de US$ 7.500 para veículos limpos.
Impasses legislativos, aliados passando a ser ameaçados de boicote por Musk, e a instabilidade política contribuem para elevado nervosismo nos mercados. A coalizão pró-indústria elétrica e de energia limpa vê riscos no enfraquecimento de incentivos que favorecem a transição para fontes menos poluentes.