Mesatenista brasileiro, número 3 do mundo, não pôde embarcar após visita a Cuba em 2023 e vê competição escapar por falha no trâmite do visto
O mesatenista brasileiro Hugo Calderano, atualmente o terceiro colocado no ranking mundial, foi impedido de disputar o WTT Grand Smash, em Las Vegas, por questões burocráticas ligadas à sua entrada nos Estados Unidos.
Apesar de possuir dupla cidadania — brasileira e portuguesa — e normalmente utilizar o Sistema Eletrônico para Autorização de Viagem (ESTA) para entrar no país, Calderano teve seu pedido retido pelas autoridades americanas. A razão: sua viagem a Cuba em 2023, quando disputou o Campeonato Pan‑Americano e a fase de qualificação para Paris‑2024. Esse histórico o tornou inelegível para a isenção de visto via ESTA.
Após a negativa, Calderano e sua equipe recorreram à Associação de Tênis de Mesa dos EUA (USATT) e ao Comitê Olímpico americano (USOPC) para agendar um visto emergencial. Embora o pedido tenha sido aceito, não houve tempo hábil para marcação de entrevista consular antes do início do torneio.
Em seu site oficial, o atleta lamentou: “Segui o mesmo protocolo… mobilizei toda a minha equipe… mas, infelizmente, não houve tempo hábil. É frustrante…”.
Nas redes sociais, a controvérsia teve grande repercussão. Internautas classificaram a situação como “absurda” e “vexatória”, enquanto o deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL-SP) chamou a decisão de “patética” e alertou que quem perde é o esporte e os EUA.
A comentarista Milly Lacombe, no UOL, interpretou o episódio como consequência do endurecimento da política de imigração adotada nos EUA durante a era Trump, chegando a rotular o caso como “fascismo”. Ela relacionou o impedimento de Calderano a um sistema repressivo que, segundo ela, se assemelha a “campos de concentração” para imigrantes.
A ausência de Calderano representa um resultado frustrante em um ano de conquistas marcantes: ele conquistou a Copa do Mundo e levou a prata no Mundial, subindo ao auge de sua carreira. O WTT Grand Smash é o principal evento da temporada, e sua exclusão priva o Brasil de uma referência competitiva e de fortes chances de pódio.
A Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) divulgou nota expressando profundo pesar pela situação e reafirmando apoio ao atleta. Até o momento, não há definição sobre a possibilidade de recurso ou reagendamento do visto para participação em eventos futuros nos EUA.