Mesa-tenista número 3 do ranking mundial não pôde disputar o WTT Grand Smash de Las Vegas após complicação burocrática vinculada a viagem a Cuba; dirigente internacional critica postura do atleta e reforça preparação integral
O principal jogador de tênis de mesa brasileiro da atualidade, Hugo Calderano (29 anos), não embarcou para Las Vegas e foi impedido de participar do prestigiado WTT Grand Smash que começou em 3 de julho. A ausência se deve a uma falha no visto para entrada nos Estados Unidos — decorrente de uma viagem a Cuba em 2023 — que comprometeu o registro via Sistema Eletrônico de Autorização de Viagem (ESTA) mesmo com sua dupla cidadania (portuguesa e brasileira).
Calderano, número 3 do mundo, viajou a Cuba em 2023 para participar do Campeonato Pan-Americano e da qualificação aos Jogos Olímpicos de Paris, o que desencadeou restrições nos EUA. Segundo a Lei de Melhoria do Programa de Isenção de Visto e Prevenção de Viagens Terroristas (2015), qualquer pessoa que tenha visitado Cuba após 2021 deve apresentar visto convencional para ingressar nos Estados Unidos, mesmo que esteja qualificada ao programa de isenção via passaporte europeu.
O problema ocorreu ao preencher o ESTA: houve demora na aprovação, e posteriormente as autoridades confirmaram que Calderano não era elegível ao benefício sem visto. Ele, então, buscou suporte da USATT e do USOPC para obtenção de visto emergencial, mas não havia tempo hábil para realizar a entrevista consular antes do início do torneio.
O CEO da Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF), Steve Dainton, responsabilizou o atleta e o seu time pela falha na preparação:
“É uma grande decepção que o Hugo não tenha podido vir… Mas temos incentivado os jogadores a se prepararem com meses de antecedência os vistos… Isso é um lembrete de que ser profissional exige mais do que apenas performance na mesa, significa também assumir a responsabilidade por tudo que acontece fora dela”.
Dainton destacou que outros atletas, que se anteciparam em suas documentações, participaram normalmente do evento, ressaltando que o preparo envolve também gestão de fatores extradesportivos .
A ausência de Calderano foi sentida pelo Brasil e pela própria ITTF. No torneio, o único representante brasileiro masculino em simples acabou sendo Vitor Ishiy, 48º no ranking, que enfrentou Hiroto Shinozuka. No feminino, o país foi representado por Bruna Takahashi e Giulia Takahashi, em simples, duplas e duplas mistas.
Além do gosto amargo de perder um evento de alto prestígio — que concede até 2000 pontos no ranking mundial —, o incidente pode impactar a posição de Calderano, hoje consolidada no top 3, caso o jogador não dispute torneios equivalentes logo.
A polêmica vivido por Calderano reacende discussões sobre a responsabilidade de atletas de elite quanto às exigências burocráticas das competições globais. Além das habilidades técnicas, jogadores de ponta precisam de equipes nas áreas de logística, governança e direitos de imagem que garantam segurança e previsibilidade nas viagens internacionais .
Calderano mantém agenda intensa em 2025, com destaque para a Copa do Mundo (que venceu recentemente), Mundial (vice em Doha) e futuras edições do WTT. A expectativa é que ele esteja presente nos próximos Grand Slams, com o suporte dos seus assessores sendo reforçado ao calor desta falha administrativa .