Mostra transforma símbolo histórico religioso de Salvador em espaço cultural, unindo passado e futuro com arte, design e paisagismo sob o tema “Semear Sonhos”
Neste domingo (6), foi inaugurada a 31ª edição da CASACOR Bahia no imponente Convento e Colégio Nossa Senhora das Mercês, localizado na Avenida Sete de Setembro, com abertura oficial que reuniu arquitetos, designers, patrocinadores e convidados em torno de uma apresentação da Orquestra NEOJIBA na antiga capela.
Fundado em 1735 pelas Irmãs Ursulinas, o antigo educandário feminino foi mantido como colégio até 2022, quando fechou após 287 anos de atividade. Em 2025, o local abre suas portas ao público pela primeira vez, revelando ambientes até então inacessíveis, como cloisters e quartos das freiras já dessacralizados para receber a exposição. Com paredes de mais de 60 cm, a estrutura conserva elementos neogóticos e traços originais mesmo após intervenções ao longo dos séculos, entre elas reformas de fachada para abertura da Avenida Sete em 1913.
Sob curadoria de Magali Santana (também diretora local), o evento apresenta 44 ambientes projetados por 55 profissionais e 15 estudantes, abrangendo arquitetura, design e arte em 4 000 m². A proposta é um diálogo sensível entre o histórico e o contemporâneo, onde mestres do design baiano e novos talentos recriam salas, galerias, pátios e antigos dormitórios com uma narrativa visual que respeita a memória do espaço e dialoga com o presente.
A oficina de ocupação, assinada pelo escritório GAM Arquitetura, traz um masterplan que valoriza os percursos originais, a simbologia arquitetônica e permite que o público “semeie sonhos” por entre arcos, corredores e ambientes fluidos — “um espaço de encontro entre passado, tradição, inovação e identidade”, nas palavras da diretora Mai Silveira.
A mostra, aberta ao público de terça a domingo (15h às 22h), segue até 7 de setembro, com ingressos custando R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia). A reivindicação de tornar um patrimônio de quase três séculos acessível à comunidade simboliza a expansão da cultura soteropolitana, alinhada à nova vocação de valorização turística de Salvador Centro.
Nesta estreia histórica, o NEOJIBA, que retornou da Europa, emocionou os presentes na capela dessacralizada, com repertório latino-americano e brasileiro e regência de jovens maestros.
A ocupação do Convento das Mercês representa um marco urbano e cultural. O local, que permaneceu reservado à educação feminina e à clausura por quase três séculos, agora acolhe a população com uma proposta inclusiva, educativa e sensível — rompendo estigmas e reforçando a importância da recuperação patrimonial e de espaços históricos transformados em centros de convivência e expressão criativa