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Itália aprova neste 6 de agosto a construção da ponte suspensa mais longa do mundo

Foto: Divulgação/Ministério dos Transportes da Itália
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Projeto de €13,5 bilhões ligará a Sicília ao continente, com impacto econômico e geopolítico, mas também rodeado de controvérsias sobre meio ambiente e segurança.

Nesta quarta-feira, 6 de agosto de 2025, o governo italiano aprovou oficialmente a construção da maior ponte suspensa do mundo, que conectará a ilha da Sicília ao continente pela travessia do Estreito de Messina, com extensão total de 3,7 km, dos quais 3,3 km serão o vão suspenso.

O projeto, orçado em €13,5 bilhões (aproximadamente US$ 15,6 bilhões) ao longo da próxima década, foi endossado pelo Comitê Interministerial CIPESS, liderado pela primeira-ministra Giorgia Meloni, e defendido como “o maior projeto de infraestrutura do Ocidente” por Matteo Salvini, ministro das Infraestruturas.

A nova ponte contará com uma via para rodovias com três faixas em cada sentido, duas linhas de trem no centro, acostamentos e infraestrutura de serviço, tudo apoiado por torres de sustentação de 399 metros e um tabuleiro com até 60 metros de largura, capaz de suportar ventos de até 270–292 km/h e resistir à ação sísmica em uma região de intensa atividade tectônica.

O governo estima que a ponte vai gerar mais de 100 mil empregos por ano, reduzindo drasticamente o tempo de travessia entre a Calábria e a Sicília — de até 100 minutos por balsa para 10 a 15 minutos por via terrestre, e diminuindo o tempo de deslocamento ferroviário proporcionalmente.

Além disso, a estrutura será contada como despesa militar no orçamento italiano, contribuindo para os compromissos da NATO de elevar o gasto em defesa a 5% do PIB, na medida em que a ponte pode servir como corredor estratégico para movimentação rápida de tropas e equipamentos no Mediterrâneo.

Apesar do entusiasmo governamental, o projeto enfrenta críticas contundentes:

  • Riscos sísmicos elevados, já que o Estreito de Messina está sobre duas placas tectônicas.
  • Impacto ambiental, incluindo ameaça a rotas migratórias de aves e mudanças no ecossistema marinho, questionamentos já formalizados junto à União Europeia.
  • Temor de corrupção e interferência da máfia, com exigência de aplicação rigorosa das leis antifraude e participação do Ministério do Interior no monitoramento do consórcio que executará a obra.

O consórcio Eurolink, liderado pela construtora italiana Webuild, em parceria com grupos da Espanha e Japão, foi contratado para a execução do projeto, que inclui 40 km de novas vias rodoviárias e ferroviárias, além de três estações subterrâneas em Messina. Os primeiros levantamentos geológicos e arqueológicos devem começar entre setembro e outubro de 2025, com início da construção previsto para 2026 e entrega entre 2032 e 2033