“Pedra do Segredo”, de Alagoa (MG), é o primeiro queijo do Brasil a receber o Prêmio Super Ouro na ExpoQueijo Brasil, marcando uma virada histórica na cena queijeira nacional
Na 5ª edição da ExpoQueijo Brasil, realizada nos dias 26 a 29 de junho de 2025, no município de Araxá (MG), um queijo brasileiro jamais premiado até então alcançou o topo: o “Pedra do Segredo”, produzido na pequena cidade de Alagoa, no Sul de Minas Gerais, conquistou a medalha Super Ouro, tornando-se a primeira indicação nacional a vencer a principal categoria do evento.
Entre as cerca de 1.000 amostras inscritas, vindas de 17 países e avaliadas por aproximadamente 200 especialistas de sete nacionalidades, o queijo artisanal brasileiro recebeu a melhor pontuação na categoria queijo de leite cru, casca lisa ou lavada, maturado por mais de 180 dias. Com massa semicozida, centro cremoso e cristais de tirosina — indicativos de maturação avançada — o “Pedra do Segredo” destacou-se em sabor e textura.
Para os produtores do queijo — uma família de pequeno porte em Alagoa, cidade de apenas dois mil habitantes — a vitória não foi esperada. Tatiany Barros Siqueira, prima do produtor Jaime Porfírio de Barros, relatou que a queijaria não possui infraestrutura de controle de umidade ou temperatura, confiando totalmente nas condições naturais de maturação oferecidas pelo clima da região. Essa autenticidade e tradição deram ao produto um diferencial competitivo frente a concorrentes internacionais.
A conquista reflete uma expansão do reconhecimento aos queijos brasileiros — Minas Gerais liderou o ranking do evento com 69 medalhas nas 43 categorias, incluindo 24 ouros, 21 pratas e 24 bronzes. Outros estados como São Paulo e Paraná também somaram honrarias importantes em diversas categorias.
Além da ExpoQueijo, o Prêmio Queijo Brasil — celebrado em julho de 2025 em Blumenau (SC) — premiou 1.242 produtos nacionais em quatro categorias principais, elegendo queijos artesanais tradicionais, de leite cru ou pasteurizado e queijos finos. Dentre os destaques, queijos como o “Granito” (SP) e o “Peleja” (MG) tiveram destaque na chamada “Seleção Queijista”, destinada aos produtos mais exclusivos.
Em âmbito internacional, o queijo Passionata, do Paraná, ficou entre os 10 melhores do World Cheese Awards 2024 e garantiu o título de Melhor Queijo da América Latina, entre mais de 4.700 inscritos de 47 países. Também em Santa Catarina, o queijo Morro Azul, da cidade de Pomerode, foi eleito o melhor do 3º Mundial do Queijo do Brasil, conquistando medalha Super Ouro e superando concorrentes nacionais e internacionais.
No contexto do queijo Alagoa, sua elaboração artesanal em altitude na Serra da Mantiqueira reflete práticas herdadas de imigrantes italianos e adaptadas ao terroir local. A ausência de tecnologia na maturação fortalece a identidade sensorial do produto, ressaltando sabores genuínos e texturas únicas.
Esse movimento de valorização dos queijos artesanais soma forças com políticas estaduais e federais de apoio à agricultura familiar, programas de extensão rural e incentivos para certificar queijos com indicações geográficas, como já ocorreu com o queijo Canastra ou o queijo serrano em Santa Catarina e Rio Grande do Sul