Mesmo sem sistema internacional oficial, Pix já é aceito no exterior por meio de parcerias entre fintechs e comércios em países visitados por brasileiros
Embora o Pix seja uma criação brasileira, restrito a transações dentro do Brasil, sua aceitação internacional tem crescido, principalmente em destinos turísticos com grande presença de brasileiros. É UM MOVIMENTO impulsionado por parcerias com fintechs e intermediários financeiros, que convertem pagamentos em reais para moeda local no momento da compra, incluindo IOF e câmbio fixado instantaneamente.
Argentina, Chile, Paraguai, Portugal, França, Estados Unidos e Uruguai estão entre os países onde turistas brasileiros já podem pagar em estabelecimentos usando Pix, graças a soluções como PagBrasil, Braza Bank e Comm.Pix.
Na Argentina, o Pix ganhou espaço sobretudo em Buenos Aires e Ciudad del Este, onde mais de 90% dos estabelecimentos visitados por brasileiros oferecem a modalidade de pagamento por QR Code em reais, com câmbio automático e taxas definidas no ato.
Em Portugal, lojas como a rede Worten em Lisboa, através da fintech Braza Bank, passaram a aceitar Pix. A plataforma também está presente em Portugal com terminais REDUNIQ/UNICRE que processam pagamentos em reais convertidos automaticamente para euros.
Nos Estados Unidos, principalmente na Flórida e Miami, tornou-se comum encontrar Pix em lojas voltadas a turistas brasileiros por meio de parcerias com adquirentes como Verifone e intermediárias como PagBrasil.
O sistema funciona da seguinte forma: o comerciante insere o valor em moeda local na maquininha e gera um QR Code com valor em reais, que o consumidor brasileiro escaneia usando seu app bancário. A conversão é automática e o IOF é incluído no momento, eliminando surpresas na fatura do cartão.
Por que ainda não há Pix internacional oficial?
O Banco Central do Brasil confirma que não existe ainda um Pix internacional regulamentado formalmente, pois isso exigiria acordos multilaterais e tratados complexos. Entretanto, o projeto Nexus, liderado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), busca interligar sistemas de pagamentos instantâneos de diferentes países — inclusive o Pix — para viabilizar transferências internacionais em tempo real.
Especialistas apontam que o Pix rompe paradigmas ao permitir que o pagamento em reais já sai com câmbio fixado, diferente dos cartões de crédito, onde cotação pode variar até o fechamento da fatura.
O uso do Pix no exterior é um reflexo da crescente adoção interna: cerca de 160 milhões de brasileiros, aproximadamente 75% da população, utilizam ou possuem contas vinculadas ao Pix, e ele já representa quase metade das transações de pagamento no país.
Fintechs como PagBrasil, Braza Bank e Comm.Pix lideram o processo de internacionalização do Pix, oferecendo soluções como Pix Internacional (POS via QR Code) e Pix Roaming — que permite até que estrangeiros paguem em real usando seus apps locais, em países como Argentina, México e Colômbia