Felipe Bressanim Pereira, o Felca, saiu dos vídeos de humor ácido para denunciar o que chama de “adultização” de crianças na internet — e virou uma das personalidades mais influentes do debate sobre infância e ética digital.
Felca, nome artístico de Felipe Bressanim Pereira, nasceu em 25 de julho de 1998, em Londrina (PR). Desde os primeiros cliques, o paranaense construiu sua marca com humor ácido, autodepreciação e sátiras ao mundo digital.
Sua trajetória começou em 2012, como streamer de videogames — mas o público realmente o abraçou quando migrou para vídeos de reação e análise de tendências da internet, sempre com pitadas de ironia e crítica social Em 2023, ganhou destaque com dois virais: um vídeo testando a base “We Pink”, de Virgínia Fonseca — que abordava a qualidade do produto com bom humor — e suas famosas lives de NPC, no TikTok, em que imitava um personagem robótico, conseguindo mais de um milhão de seguidores em quatro dias e arrecadando cerca de R$ 31 mil, doados integralmente a instituições beneficentes.
Essa combinação de humor inteligente e engajamento social consolidou seu espaço nas plataformas digitais. Ele recusa patrocínios que contrariam seus valores — como o caso em que rejeitou uma oferta de quase R$ 50 milhões de uma casa de apostas, por acreditar que isso poderia incentivar situações de risco entre seu público mais jovem.
Mas quem é realmente o Felca? Com cerca de 5,8 milhões de inscritos no YouTube e milhões de seguidores nas redes sociais, ele equilibra humor, crítica e comprometimento. Já falou abertamente sobre transtorno de ansiedade social e depressão, compartilhando com sua comunidade que essas vivências reforçaram o significado e a força de suas escolhas.
Em 6 de agosto de 2025, Felca lançou um vídeo impactante denunciando a adultização infantil — quando crianças e adolescentes são expostos a situações de cunho sexual ou comportamentos de adultos, muitas vezes impulsionados por algoritmos que não filtram esse tipo de conteúdo (aquele que ele chamou de “algoritmo P”). Nesse vídeo, que ultrapassou rapidamente 20 milhões de visualizações, ele trouxe à tona casos reais, como os de Hytalo Santos e Bel para Meninas, e acendeu um debate nacional.
Felca respondeu a ataques e difamações movendo processos contra 233 perfis no X, mas ainda ofereceu uma alternativa: eles podem encerrar o caso por meio de doações a instituições de proteção à infância, se reconhecerem o erro e se retratarem publicamente — uma atitude que reflete sua integridade.
A postura corajosa atraiu apoio público de nomes como Glória Perez, Claudia Leitte e Gizelly Bicalho, além de influenciar ações na Câmara e no Senado, motivando dezenas de projetos de lei e pedidos de CPI para garantir proteção digital às crianças.
Felca se tornou, assim, muito mais que um criador de conteúdo: é uma voz firme por ética na internet, por transparência e por um ambiente digital mais seguro. Com suas experiências reais e convicções claras, ele segue inspirando respeito — e provando que humor e responsabilidade podem caminhar juntos.