Solução inovadora à base de aceclidina promete visão nítida de perto por até 10 horas com apenas uma aplicação diária
Um avanço promissor no mundo oftalmológico: os Estados Unidos deram sinal verde para o colírio VIZZ, desenvolvido pela LENZ Therapeutics, como uma nova alternativa no tratamento da presbiopia — aquela dificuldade de enxergar de perto que começa a incomodar após os 40 anos. O FDA aprovou oficialmente essa solução até 10 horas de visão nítida sem precisar de óculos de leitura.
O segredo está na sua fórmula: aceclidina 1,44%, um miótico seletivo que contrai o músculo esfíncter da íris, formando uma pupila menor que 2 mm. Esse efeito, conhecido como “pinhole”, amplia a profundidade de foco, permitindo que objetos próximos fiquem mais nítidos, sem afetar a visão de longe nem provocar desvio miópico.
Eficácia comprovada
O colírio passou por três ensaios clínicos de fase III (CLARITY 1, 2 e 3): os dois primeiros testaram 466 pessoas durante 42 dias, o terceiro avaliou 217 participantes ao longo de 6 meses. Os resultados foram bastante positivos: a melhora da visão próxima começa em cerca de 30 minutos e pode durar até 10 horas.
Nada de eventos adversos graves foi registrado em mais de 30 mil dias de tratamento. Os efeitos mais comuns foram leves e passageiros: irritação no local da aplicação (cerca de 20%), visão turva temporária (16%), dor de cabeça (13%), além de vermelhidão conjuntival ou ocular (em torno de 7–8%).
Segundo Eef Schimmelpennink, CEO da LENZ Therapeutics, a aprovação do VIZZ marca um “momento transformador” para a presbiopia, que afeta cerca de 128 milhões de adultos somente nos EUA. O colírio deverá estar disponível em forma de amostras para oftalmologistas já em outubro de 2025, e o lançamento comercial completo está previsto para meados do quarto trimestre de 2025.
Comparativo com outras terapias
Antes do VIZZ, já existia o colírio VUITY, à base de pilocarpina, aprovado em 2021, que também alivia a presbiopia por até 6 horas. Porém, o VIZZ traz uma proposta mais duradoura — até 10 horas de eficácia — e um mecanismo de ação menos abrangente, focado na íris, o que reduz possíveis efeitos colaterais relacionados ao músculo ciliar.
Se aprovado também no Brasil, o VIZZ pode oferecer uma alternativa prática e eficaz para milhões que dependem de óculos de leitura. O cenário ideal seria uma regulamentação futura junto à Anvisa, permitindo que pacientes tenham acesso a essa solução inovadora.