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Família de Preta Gil exige retratação pública de padre que atacou religiões afro-brasileiras

Foto: Redes Sociais
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Gilberto e Flora Gil enviaram notificação extrajudicial ao padre Danilo César, após comentários considerados intolerantes durante homilia transmitida ao vivo — a família pede também punições e ressalta que pode recorrer à justiça.

Na última quinta-feira (14 de agosto de 2025), o casal Gilberto Gil e Flora Gil tomou uma atitude firme: notificar formalmente, por meio de via extrajudicial, o padre Danilo César de Sousa Bezerra e a Diocese de Campina Grande. O motivo foi um discurso feito pelo sacerdote durante uma missa em Areial, na Paraíba, no dia 27 de julho, apenas sete dias após a morte de Preta Gil.

Na homilia transmitida ao vivo pelo canal da paróquia, o padre usou palavras que feriram profundamente a fé da família: referiu-se aos orixás como “forças ocultas” e ironizou dizendo algo como “Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?”. Essas declarações, segundo os familiares, configuram clara intolerância religiosa, além de desrespeitarem a memória da cantora e o momento de luto vivido por todos.

A notificação sublinha que, passados mais de 15 dias desde o ocorrido, não houve nenhum pedido público de desculpas ou retratação por parte do padre ou da Diocese. Essa omissão, destacam os advogados de Gilberto e Flora, “perpetua o desrespeito” com a memória de Preta Gil e com as religiões de matriz africana.

Além da retratação pública via canal oficial da paróquia, a família pede que sejam aplicadas medidas disciplinares ao padre, dentro de um prazo de até dez dias úteis. Caso isso não aconteça, não descartam encaminhamento de ações judiciais — civis ou criminais.

O caso ganhou ainda mais gravidade com o registro de três boletins de ocorrência pela Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria, e a abertura de inquérito policial para investigar o possível crime de intolerância religiosa — crime previsto no Código Penal, com pena de dois a cinco anos de reclusão, agravado pela condição de sacerdote.

Em meio ao luto dos fãs e amigos, o episódio reacende um debate urgente sobre respeito à pluralidade religiosa no país. Preta Gil, falecida aos 50 anos no dia 20 de julho em Nova Iorque, era uma figura conhecida por sua luta contra o racismo, gordofobia e homofobia — e deixou um legado de coragem e empoderamento público