Uma queixa de 2020 feita ao Conselho Tutelar de Cajazeiras (PB) trouxe à tona uma acusação gravíssima: o influenciador teria levado uma menina de 12 anos a uma casa de prostituição. Agora, sob investigação por tráfico humano e exploração sexual infantil, ele e o marido tiveram prisão preventiva confirmada na audiência de custódia.
Uma denuncia formalizada ainda em 2020 voltou à tona e foi incorporada no atual inquérito que investiga o influenciador digital Hytalo Santos e seu marido, Israel Nata Vicente. A tia de uma adolescente de 12 anos (hoje com cerca de 17 anos) levou ao Conselho Tutelar de Cajazeiras, na Paraíba, um relato sério: o influenciador teria conduzido a jovem — que começara a acompanhá-lo em suas apresentações como dançarina desde os 10 anos — até uma casa de prostituição em São Paulo. O documento, que integra o processo atual, detalha a trajetória da jovem em viagens por cidades como João Pessoa, Recife, Natal e Brasília antes do episódio na capital paulista.
O relatório ainda destaca que a mãe da adolescente teria autorizado a convivência com Hytalo, vivendo um contexto de confiança, enquanto o pai biológico se opunha à exposição da filha em postagens com conotação erótica. Havia inclusive uma notificação para excluir tais conteúdos, feita após a divulgação das danças sensuais nas redes sociais.
Esse relato se soma a outras denúncias recentes. Vizinhos teriam informado ao Ministério Público da Paraíba (MP-PB) que festas nas residências do influenciador contariam com consumo de álcool, topless e cenas sugestivas com menores, propiciando a instauração de inquéritol. O caso também ganhou força por meio de vídeo do youtuber Felca, que denunciou o que chamou de “adultização” de crianças e adolescentes em conteúdos de Hytalo — um material que ultrapassou milhões de visualizações e acelerou a resposta judicial.
Em 15 de agosto de 2025, Hytalo e Israel foram presos em Carapicuíba, Grande São Paulo, por determinação da 2ª Vara da Comarca de Bayeux (PB). Foram aplicados mandados de prisão preventiva que abarcam investigações por tráfico humano, exploração sexual de menores e possível ocultação de provas.
No dia seguinte, 16 de agosto de 2025, ambos passaram por audiência de custódia — realizada em formato virtual. A prisão foi mantida, já que, segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, não foram identificadas irregularidades no ato da prisão. A defesa recorreu com pedido de habeas corpus, alegando que o inquérito começou em 2020, o que, em sua visão, tornaria a prisão intempestiva. No entanto, ainda não havia decisão sobre a revogação.
Em nota divulgada à imprensa, os advogados reafirmaram a inocência do casal e ressaltaram que não tiveram acesso aos fundamentos jurídicos da prisão, o que limitou sua articulação defensiva. Eles afirmam que, assim que receberem os detalhes oficiais, adotarão todas as medidas legais cabíveis, incluindo a solicitação de habeas corpus.
O Ministério Público, por sua vez, se posicionou com cautela, destacando que a investigação deve ser conduzida com respeito absoluto à dignidade das vítimas e sem sensacionalismo, lembrando que tráfico de pessoas é uma das mais graves violações de direitos, mesmo em contextos domésticos