A cantora e o apresentador Luciano Huck estiveram na aldeia Kuikuro, no Parque Indígena do Xingu, para gravar um especial do Domingão com Huck. A participação no Kuarup representa respeito à cultura ancestral, visibilidade às causas ambientais e promoção da diversidade brasileira.
Neste fim de semana, a cantora Anitta embarcou em uma experiência que vai além dos holofotes: ela participou do ritual tradicional Kuarup, ao lado de Luciano Huck, na aldeia Kuikuro, no Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso. A presença da artista, registrada pelo cineasta Bob K, faz parte de uma gravação especial para o “Domingão com Huck”, da TV Globo.
O Kuarup é uma cerimônia ancestral de despedida dos grandes líderes e pessoas importantes da comunidade. Realizado cerca de um ano após o falecimento, o rito marca o fim do luto. Troncos de madeira são cuidadosamente ornamentados e colocados no centro do pátio da aldeia — cada um representa um falecido.
A homenagem se estende por toda a noite, com rezas, cantos, lamentações e vigília dos familiares ao redor dos troncos. À despedida segue-se uma cerimônia de luta tradicional chamada Huka-Huka — nos preparativos, os guerreiros tatuam-se simbolicamente com dentes de peixe, passam ervas, jenipapo e urucum, pintam o corpo e o cabelo, e no dia seguinte disputam tocando a coxa ou derrubando o adversário. Ao fim, os adornos dos troncos são entregues às famílias enlutadas, e os troncos são lançados ao rio ou lagoa, simbolizando a libertação das almas.
O Kuarup também incorpora o rito de passagem das meninas que atingiram a puberdade: após um ano de reclusão, elas são apresentadas à comunidade como adultas e podem negociar, com os parentes, seus futuros sociais ou reprodutivos.
A participação de Anitta não foi apenas ritualística — carrega um simbolismo profundo: além de reafirmar seu engajamento com os direitos dos povos originários e a causa ambiental, ela também reforçou sua parceria com os comunicadores indígenas jovens, como madrinha do perfil @midiaindigenaoficial. Esse gesto vem se somar à sua visibilidade: recentemente, dividiu a capa aniversário da Vogue com a ministra Sônia Guajajara, evidenciando um Brasil que reconhece suas raízes indígenas.
Em um vídeo compartilhado, Anitta se emocionou e agradeceu a recepção:
“Eu só tenho a agradecer pelo convite, por cuidarem da nossa natureza, por continuarem lutando, persistindo, resistindo… comigo vocês sempre vão poder contar.”
Neste domingo (17 de agosto de 2025), ela deve se encontrar com o cacique Raoni Metuktire, uma das mais respeitadas lideranças indígenas no mundo, símbolo da defesa da floresta e dos direitos dos povos originários.
Essa passagem pelo Xingu reforça que, nas ações de Anitta, há coerência entre discurso e prática: um olhar atento à preservação cultural, ambiental e social — uma presença ativa e fundamentada, capaz de dar voz e alcance às tradições ancestrais do Brasil.

Reprodução Instagram Mídia Indígena