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“Ainda Estou Aqui” faz história com prêmio internacional inédito

Reprodução/IMDb
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Dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres, o filme se torna o primeiro brasileiro — e sul-americano — a conquistar o Grand Prix da crítica cinematográfica mundial (FIPRESCI), consolidando-se como um marco no cinema nacional.

No dia 2 de setembro de 2025, o longa “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, recebeu o inédito Grand Prix FIPRESCI, o principal prêmio da Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica, tornando-se o primeiro filme brasileiro e de toda a América do Sul a ser agraciado com esse reconhecimento. A premiação será entregue no dia 19 de setembro, durante a abertura do 73º Festival de San Sebastián, na Espanha.

O filme já havia alcançado êxito internacional ao conquistar o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, sendo o primeiro produzido no Brasil a chegar a esse feito. Além disso, acumula cerca de 61 prêmios nacionais e internacionais, entre eles o Globo de Ouro de Melhor Atriz para Fernanda Torres, prêmios do público em festivais como Rotterdam, Vancouver, Pessac e São Paulo, e 13 Grande Otelo da Academia Brasileira de Cinema.

“Ainda Estou Aqui” retrata o drama da família Paiva após o desaparecimento do deputado Rubens Paiva por agentes da ditadura militar. A trama foca na luta de Eunice Paiva, interpretada por Fernanda Torres, que precisa reconstruir sua vida e manter a esperança enquanto busca justiça e verdade para seus filhos — uma narrativa baseada no livro de Marcelo Rubens Paiva, seu filho.

A estreia ocorreu no tradicional Festival de Veneza em 1º de setembro de 2024, onde o filme foi ovacionado e levou o prêmio de Melhor Roteiro. Lançado nos cinemas brasileiros em 7 de novembro de 2024, foi alvo de um boicote político que acabou fracassando. Mesmo assim, tornou-se um fenômeno: faturou mais de R$ 104 milhões, foi assistido por mais de 5 milhões de espectadores e se consolidou como uma das maiores bilheterias do país.

A recepção crítica também foi extraordinária: o filme alcançou 97% de aprovação no Rotten Tomatoes e 85/100 no Metacritic, sendo descrito como “universalmente aclamado”. A atuação de Fernanda Torres foi destaque em todo o mundo.

Reforçando seu impacto cultural, o filme foi escolhido pelo New York Times como um dos 10 melhores de 2025, e teve sua estréia celebrada em programas globais como o Festival de Palm Springs, onde recebeu o prêmio do júri para Melhor Filme Internacional pela sensível abordagem de um período sombrio da ditadura, mostrada sob a ótica íntima de uma mãe.

O reconhecimento não foi apenas artístico, mas social e político: “Ainda Estou Aqui” se tornou símbolo da memória da ditadura, ajudando a reacender debates sobre justiça e desaparecidos. O presidente Lula celebrou o Oscar como “um orgulho para a democracia brasileira”.

Em resumo, o filme consolidou-se como um marco do cinema brasileiro, reunindo prêmio histórico da crítica (FIPRESCI), o primeiro Oscar nacional, reconhecimento popular e uma narrativa que combina emoção, memória e resistência.