Cantora e compositora, conhecida pela voz rouca e estilo marcante, estava internada desde junho e faleceu após parada cardíaca durante cirurgia
Ângela Maria Diniz Gonçalves, conhecida por seu nome artístico Ângela Ro Ro, faleceu nesta segunda-feira, 8 de setembro de 2025, aos 75 anos, no Hospital Silvestre, no bairro Cosme Velho, Rio de Janeiro.
Internada desde junho/julho, a cantora enfrentava infecções pulmonares, complicações renais e passou por traqueostomia e hemodiálise. Após uma cirurgia, sofreu uma parada cardíaca e, apesar dos esforços médicos, não resistiu.
Nos últimos meses, Ângela chegou a gravar vídeos nas redes sociais pedindo ajuda financeira, relatando que vivia com apenas cerca de R$ 800 por mês, provenientes de direitos autorais, sem aposentadoria e em situação de grande fragilidade.
A confirmação da morte foi feita por pessoas próximas, incluindo sua ex-namorada Laninha Braga e o produtor Paulinho Lima, amigo de longa data. A companheira de quatro anos da cantora também manifestou profundo pesar com a perda da artista.
Trajetória e Legado
Nascida no Rio de Janeiro em 5 de dezembro de 1949, Ângela ganhou o apelido “Ro Ro” ainda na infância, pela sua voz rouca e única. Iniciou o estudo de piano clássico aos cinco anos e começou a compor muito cedo.
Nos anos 1970, foi descoberta por Glauber Rocha durante uma viagem à Itália. Em Londres, trabalhou em diferentes ocupações enquanto apresentava-se em pubs locais. Participou do álbum Transa (1972), de Caetano Veloso, tocando gaita na faixa “Nostalgia”, ainda nos primeiros passos de sua carreira.
Estreou com disco próprio em 1979, lançando clássicos como “Gota de Sangue”, “Amor, Meu Grande Amor”, “Tola Foi Você” e “Agito e Uso”, que se tornaram referências da MPB. Nos anos 1980, lançou álbuns marcantes como Só Nos Resta Viver (1980) e Escândalo! (1981), com músicas compostas por Caetano Veloso e autorais.
Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, Ângela colaborou com nomes como Ney Matogrosso, Maria Bethânia e Caetano Veloso. Em 2012, foi escolhida como uma das 100 maiores vozes da música brasileira pela Rolling Stone Brasil, ocupando a 33ª posição.
Além de sua obra musical, Ângela foi uma das primeiras artistas brasileiras a se assumir lésbica publicamente, e se tornou um símbolo de coragem e autenticidade. Seu estilo irreverente e suas letras intensas marcaram uma geração e redefiniram padrões na MPB.
Nos últimos anos, mesmo com sua saúde abalada, continuou a receber homenagens de grandes nomes, como Maria Bethânia, que prestou tributo dias antes de sua morte. Seu legado permanece vivo nas vozes de artistas que regravaram suas músicas, em tributos e no respeito que conquistou além das fronteiras da música nacional.
Sua obra continua presente em coletâneas, documentários e plataformas musicais, inspirando novas gerações com sua autenticidade, força e talento.
Ângela Ro Ro deixa uma trajetória repleta de superações, vozes marcantes e composições que atravessam gerações. Admirada por sua intensa sinceridade artística e presença única, ela se despede aos 75 anos, mas seu canto e atitude permanecerão eternos na memória da MPB.