Subsecretário dos EUA reafirma sanções e alerta após manifestações do 7 de Setembro; tensão diplomática aprofunda crise entre Brasil e Estados Unidos
Nesta segunda-feira, 8 de setembro de 2025, Darren Beattie — subsecretário de Diplomacia Pública dos EUA — afirmou que o governo de Donald Trump continuará adotando medidas contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes, sancionado com base na Lei Magnitsky. Em mensagem publicada na rede X, Beattie destacou o “compromisso dos Estados Unidos com o povo brasileiro que busca preservar os valores da liberdade e da justiça”, e afirmou que agirão contra “aqueles cujos abusos de autoridade minaram essas liberdades fundamentais”.
A declaração ocorre um dia após manifestações em diversas capitais brasileiras que reuniram apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, ostentando bandeiras do Brasil e dos EUA, pedindo impeachment de Moraes e anistia para Bolsonaro — que está em prisão domiciliar desde 4 de agosto enquanto responde a acusações de tentativa de golpe de Estado no STF.
Em julho, a administração Trump já havia revogado vistos de Moraes e aliados no STF, além de impor sanções econômicas por meio da Lei Magnitsky — que resultam no congelamento de bens e proibição de negócios com cidadãos dos EUA,
A imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e a pressão política sobre autoridades judiciais brasileiras intensificaram a crise diplomática. A administração Trump aponta abusos associados a suposta censura, detenções arbitrárias e repressão a opositores, especialmente no contexto do processo contra Bolsonaro.
Por outro lado, o ministro Alexandre de Moraes reafirmou que sanções estrangeiras só têm efeitos quando autorizadas por decisões judiciais brasileiras, e alertou que bancos do país não devem cumprir ordens norte-americanas localmente sob risco de punições previstas pela lei nacional.
Contextualizando o quadro diplomático:
- Lei Magnitsky e sanções: os EUA adotaram punições contra Moraes baseados em acusações de violações de direitos humanos e restrições à liberdade de expressão, com congelamento de ativos e restrição de transações financeiras.
- Crise comercial: Trump impôs tarifas de até 50% sobre exportações brasileiras, citando interferência política e perseguição judicial ao ex-presidente Bolsonaro como justificativa. O Brasil respondeu com medidas de reciprocidade e protocolou reclamação na OMC.
- Pressão sobre o sistema financeiro: bancos brasileiros que operam nos EUA foram questionados pelo Tesouro norte-americano sobre compliance às sanções, e enfrentam risco de sanções secundárias ou penalidades locais.
- Reações internas no Brasil: o presidente Lula criticou a postura dos EUA como ameaça à soberania nacional, afirmando que o país “não será colonia de ninguém”.