Arte pública celebra legado da cantora falecida em julho, promovendo afeto e memória entre cariocas e turistas na orla mais famosa do Rio.
Na tarde desta segunda-feira (15 de setembro), a orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, foi palco de uma homenagem emocionante à música brasileira: foi inaugurada uma estátua de Preta Gil, posicionada ao lado da escultura de seu pai, Gilberto Gil, em frente ao luxuoso Copacabana Palace.
A iniciativa partiu dos fãs da cantora — mobilizados para que ela também fosse eternizada ao lado da homenagem já existente ao pai. O projeto foi organizado pelo quiosque Areia MPB, administrado pela Orla Rio, responsável também pela instalação da estátua de Gilberto Gil em 2023. A escolha do local não é casual: além de ser um ponto simbólico da cultura carioca, fica próximo ao edifício Chopin, onde Gilberto Gil mora, reforçando o vínculo da família com a cidade – especialmente com o morro do Vidigal e a cultura popular da capital fluminense.
A escultura, em tamanho real, foi criada pelo escultor Francisco Pará, que utilizou fibra com acabamento em cobre, pó de ouro e verniz PU para dar toque artístico e duradouro à obra. Ela retrata Preta sentada ao lado de Gil, inspirada em um momento real em que pai e filha cantaram juntos a música “Drão” em um show em São Paulo — eternizando um gesto íntimo e marcante da relação familiar e musical.
A escolha estética e o posicionamento simbólico transformam o quiosque Areia MPB em um espaço de afeto, memória e celebração à trajetória de Preta Gil. Bruno de Paula, sócio do local, contou que o projeto nasceu de um pedido dos fãs, que queriam vê-la eternizada ao lado do pai, e que a homenagem se consolida como um símbolo da força da MPB e da passagem de legado entre gerações.
Preta Gil faleceu em julho de 2025, aos 50 anos, vítima de complicações decorrentes de um câncer no intestino. A perda impactou profundamente o meio artístico e o público brasileiro, gerando uma série de tributos e homenagens em sua memória.
A artista iniciou sua carreira mais tarde, aos 29 anos, após atuar como produtora e publicitária. Seu álbum de estreia, Prêt-à-Porter (2003), trouxe o sucesso “Sinais de Fogo”, de Ana Carolina. Ao longo da carreira, Preta se tornou ícone da diversidade, da representatividade LGBTQIA+ e da alegria no Carnaval carioca, com forte presença no Carnaval de rua e com o blocão que levava seu nome — hoje reconhecido pelo poder de mobilização e afeto comunitário.
Nos últimos anos, seu nome foi eternizado também no trajeto oficial dos megablocos do Rio, que passou a se chamar “Circuito Preta Gil” como reconhecimento à sua contribuição cultural e popular.
A instalação das estátuas de pai e filha em Copacabana reforça a importância da arte pública como ferramenta de preservação de memórias, conexão afetiva e valorização da cultura brasileira. O monumento também serve de ponto de encontro, atraindo moradores e turistas que circulam pelo calçadão à beira-mar — um convite ao encontro com a história de uma mulher que transformou seu tempo e inspirou gerações.