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Estudo revela: Amazônia abriga o segundo rio mais poluído por plástico do mundo

Crédito: Michell Mello/ Fiocruz Amazônia Revista
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Pesquisa da Fiocruz mostra que a poluição ameaça a saúde de comunidades ribeirinhas e indígenas e reforça alerta em meio à COP30.

A maior floresta tropical do planeta vive um paradoxo: mesmo sendo um dos ecossistemas mais ricos em biodiversidade, a Amazônia hoje abriga o segundo rio mais poluído por plástico do mundo, segundo um estudo coordenado pela Fiocruz em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.

O trabalho, publicado na revista científica AMBIO, revisou 52 estudos já realizados na região e trouxe um diagnóstico preocupante. A poluição plástica já está presente na água, no solo, nos sedimentos, na fauna, na flora e até nas fontes de alimento das comunidades ribeirinhas. “Essa contaminação representa um risco direto para a chamada Saúde Única, que conecta a saúde humana, animal e ambiental”, explica a bióloga Jéssica Melo, uma das responsáveis pela pesquisa.

Impactos diretos nas comunidades

De acordo com os pesquisadores, moradores ribeirinhos estão expostos diariamente a toneladas de lixo que flutuam nos rios. O problema é agravado pela falta de coleta e infraestrutura adequada nas áreas isoladas, além do aumento do consumo de plásticos descartáveis. Antes, o lixo gerado era, em sua maioria, orgânico e biodegradável. Hoje, o que mais se vê boiando são garrafas PET, embalagens de alimentos e utensílios plásticos de uso único.

A ausência de políticas públicas também contribui. Enquanto capitais como Rio de Janeiro e Salvador já baniram o uso de canudos plásticos e isopor, no interior do Amazonas não existem programas de reciclagem estruturados.

Um problema global

O estudo foi divulgado em um momento estratégico, próximo à COP30, que será realizada em novembro de 2025 em Belém (PA). Para os pesquisadores, o evento deve servir como alerta e pressão para que o Brasil assuma compromissos concretos contra a poluição plástica. O tema também se conecta ao esforço internacional da ONU, que busca fechar um tratado global contra o plástico envolvendo cerca de 180 países.

Jesem Orellana, epidemiologista da Fiocruz Amazônia, ressalta que os impactos podem ser ainda maiores do que o que se conhece hoje. “A Amazônia está recebendo uma carga de poluição plástica que ainda não conseguimos dimensionar completamente. Mas os sinais já são claros e preocupantes”, afirma.

Além do risco ambiental, há um impacto social: comunidades tradicionais que dependem diretamente da pesca e da água do rio vivem sob ameaça constante, com consequências que vão da contaminação alimentar ao risco de doenças associadas ao descarte irregular de lixo.