Emancipada em 18 de setembro de 1833, a cidade festeja quase dois séculos de história com programação religiosa, cultural e homenagens que destacam seu papel econômico e identidade no interior da Bahia.
Nesta quinta-feira, 18 de setembro de 2025, Feira de Santana completa 192 anos de emancipação política, data que marca o surgimento da cidade erguida ao redor da Fazenda Sant’Anna dos Olhos d’Água, no século XVIII. A partir dessa propriedade dos fundadores Domingos Barbosa de Araújo e Ana Brandão, formou-se o povoado que se transformou na atual “Princesa do Sertão”.
A programação oficial começa às 7h30 com uma missa solene na Catedral Metropolitana de Sant’Ana. Em seguida, às 9h30, o prefeito e autoridades visitam o histórico Casarão dos Olhos d’Água — considerado marco inicial da cidade — para ressaltar suas origens e importância simbólica.
À tarde, às 15h, ocorre uma sessão solene na Câmara Municipal. O evento inclui uma palestra do médico João Batista de Cerqueira — pioneiro da urologia em Feira, ex-secretário de Saúde e professor da UEFS —, além de poesia de Zezé Negrão e apresentação da banda Libú do Reggae. A solenidade também traz a execução dos hinos Nacional e municipal pela banda da Polícia Militar da Bahia, com a presença da comunidade e representantes da Missão Brasília.
Mais tarde, à noite, a cidade realiza a entrega da Medalha de Honra ao Mérito aos cidadãos que se destacaram no desenvolvimento local, em cerimônia no Cajueiro Convenções.
Na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), deputados como Cafu Barreto, Robinson Almeida, Marcinho Oliveira e Binho Galinha apresentaram moções de congratulações por Feira de Santana, ressaltando sua trajetória, importância econômica e cultural, além do pioneirismo com o plano diretor urbano e contribuição ao interior do estado.
Origens e apelo regional
Feira de Santana nasceu da trajetória dos tropeiros e comerciante de gado, se consolidou como um entreposto comercial estratégico entre o sertão e o Recôncavo, crescendo em torno das feiras de gado. Em 1832 foi elevada à vila e, no ano seguinte, tornou-se município já com o nome que carrega até hoje. Ao longo dos anos, se diversificou com comércio de tecidos, cereais e artesanato, até se firmar como segunda maior cidade da Bahia e maior centro urbano no interior nordestino.
Cultura, patrimônio e identidade
Feira abriga tesouros culturais e espaços históricos preservados, como o Museu Casa do Sertão, que reúne acervo iconográfico, cordel e memória regional. O Prédio da Vila Fróes da Motta, com arquitetura eclética e neoclássica, abriga o Memorial de Feira de Santana e conta parte da história local. A Filarmônica 25 de Março, fundada em 1868, mantém viva a tradição musical da cidade, sendo referência cultural desde o século XIX . Já o Observatório Astronômico Antares, ligado à UEFS, promove educação científica, planetário itinerante, museu e experimentoteca em atividades para crianças e jovens.
Por que essa festa faz sentido hoje?
Os 192 anos são comemorados com orgulho e atenção ao que deu origem à cidade: comércio, fé, cultura e identidade sertaneja. A data reforça o legado dos feirantes, do pioneirismo urbano, da vida acadêmica e dos laços comunitários numa cidade que continua crescendo e inspirando o interior da Bahia.