Condecoração nos EUA reconhece trajetória de luta pela conservação e destaca papel do Brasil na agenda climática global
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, foi homenageada em 22 de setembro de 2025, em Nova York, com o Prêmio por Liderança Excepcional em Conservação (Distinguished Leadership in Conservation Award), concedido pela Wildlife Conservation Society (WCS) desde 2012. Pela primeira vez, uma brasileira recebeu essa distinção.
A cerimônia ocorreu no Zoológico do Central Park, durante a Semana do Clima de Nova York. O prêmio foi entregue pelo presidente e CEO da WCS, Adam Falk, que exaltou a coragem, experiência e ambição de Marina Silva como elementos marcantes em sua trajetória de liderança global na conservação da natureza e defesa dos direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais.
Entre os premiados anteriores estão nomes de peso como Hillary Clinton, ex-secretária de Estado dos EUA; Sir David Attenborough, naturalista britânico; e Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York e enviado da ONU para ação climática.
Durante seu discurso, Marina Silva afirmou sentir profunda honra por ser a primeira brasileira a receber o prêmio. Ela destacou que a homenagem reconhece não apenas sua trajetória pessoal, mas sobretudo a relevância global do Brasil na preservação ambiental e no enfrentamento às mudanças climáticas, especialmente às vésperas da COP30, que será realizada em Belém (novembro de 2025).
Desde o início da gestão atual, Marina ressaltou progressos significativos: redução de 46% no desmatamento da Amazônia, elaboração de uma nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) compatível com o limite de 1,5 °C de aquecimento global e implantação de políticas voltadas aos direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais. Ela também falou sobre a criação de mecanismos como o Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF), que tem potencial para beneficiar cerca de 70 países detentores de florestas tropicais .
Segundo Marina, esse fundo não é doação, mas uma inovação financeira onde cada dólar público contribuído pode mobilizar cerca de quatro dólares da iniciativa privada — remunerando áreas protegidas por hectare conservado e exigindo que ao menos 20% dos recursos sejam destinados a povos tradicionais.
Além dos destaques recentes, sua trajetória já rendeu premiações internacionais como o Champions of the Earth (ONU), o prêmio Goldman, o Sophie Prize, entre outros, consolidando-a como uma das principais líderes ambientais globalmente. Atualmente, Marina também figura como a única brasileira na lista de Líderes de Sustentabilidade 2025 da revista Forbes.
No mesmo evento, foi entregue o Prêmio Thomas E. Lovejoy ao antropólogo Martin von Hildebrand, em reconhecimento ao seu meio século de trabalho em defesa dos povos indígenas e conservação da Amazônia, em homenagem ao legado do biólogo Thomas E. Lovejoy, falecido em 2021.
A premiação reforça o crescente protagonismo do Brasil na agenda ambiental global e reafirma a integração entre economia e ecologia como caminho para um futuro sustentável. O país se coloca como ator estratégico na construção de soluções climáticas inovadoras em parceria internacional.