Após a luta pessoal de Fernando Goldsztein com a doença do filho, a Medulloblastoma Initiative já arrecadou milhões, firmou parcerias globais e acelera pesquisas inéditas para encontrar a cura.
O gaúcho Fernando Goldsztein viu sua vida mudar em 2015, quando seu filho Frederico, então com apenas 9 anos, foi diagnosticado com meduloblastoma, um tumor cerebral raro e agressivo. Diante de um prognóstico desanimador, ele recusou a ideia de que não havia tratamento eficaz e decidiu agir. Em 2021, fundou a Medulloblastoma Initiative (MBI), que em pouco tempo se tornou referência mundial.
A MBI já arrecadou US$ 11 milhões (cerca de R$ 59 milhões) e uniu 17 instituições científicas dos EUA, Canadá e Alemanha em um consórcio que acelera descobertas. Entre os projetos estão uma vacina baseada em RNA mensageiro, semelhante à da Covid-19, e um ensaio clínico com imunoterapia avançada, aprovado pela FDA, que estimula o sistema imunológico a atacar as células tumorais.
O trabalho inovador da MBI chamou a atenção até do MIT, que o reconheceu como modelo de financiamento para pesquisas em doenças raras. O objetivo é claro: reduzir o tempo de décadas para apenas alguns anos na busca por tratamentos e, principalmente, pela cura.
O meduloblastoma, embora raro, representa cerca de 20% dos tumores cerebrais em crianças, atingindo principalmente meninos entre 5 e 9 anos. Os sintomas incluem dores de cabeça persistentes, vômitos sem explicação, problemas de visão e equilíbrio.
Para Goldsztein, cada dia é precioso: “Não é uma questão de ‘se’, é de ‘quando’ encontraremos a cura”. Sua trajetória mostra como a dor pessoal pode se transformar em esperança para milhares de famílias ao redor do mundo.