Dados do Censo da Educação Superior 2024 mostram forte presença da rede privada e expressivo avanço da graduação a distância
O Censo da Educação Superior 2024, divulgado no dia 22 de setembro de 2025 pelo Inep, trouxe um panorama inédito do setor universitário brasileiro. Pela primeira vez, o número de estudantes matriculados ultrapassou a marca dos 10 milhões, com 10.226.873 alunos em graduação — dos quais 5,18 milhões (50,7 %) cursavam na modalidade EaD (Educação a Distância), superando os 5,04 milhões na modalidade presencial.
Rede privada em destaque
Das aproximadamente 2.561 instituições de ensino superior no país, mais de 90 % (cerca de 2.244) são particulares, respondendo por quase 80 % das matrículas, ou seja, mais de 8,1 milhões de estudantes.
No período de 2014 a 2024, as matrículas em instituições privadas cresceram 39 %, impulsionadas principalmente pelo aumento da modalidade EaD, que cresceu quase 287 % no mesmo intervalo.
EaD cresce, mas enfrenta desafios
O crescimento da EaD começou a desacelerar desde 2022, e a modalidade já registra altas taxas de evasão. Por isso, a alternativa semipresencial — com parte da carga horária presencial — vem ganhando força como estratégia para diminuir desistências e garantir qualidade.
Para conter problemas de qualidade, o MEC decretou que cursos como Medicina, Direito, Odontologia, Enfermagem e Psicologia devem ser oferecidos exclusivamente presencialmente, e exige no mínimo 20 % de atividades presenciais em cursos EaD.
Cursos mais procurados
O ranking dos 10 cursos com mais matriculados mostra uma predominância das áreas de Licenciatura e Negócios:
- Pedagogia: 887.695
- Administração: 653.126
- Direito: 652.996
- Enfermagem: 478.008
- Sistemas de Informação: 420.479
- Psicologia: 375.574
- Contabilidade: 322.837
- Educação Física: 303.939
- Medicina: 283.594
- Fisioterapia: 227.223
Nos cursos EAD, Pedagogia, Administração e Sistemas de Informação dominam, com números significativamente mais altos do que nas versões presenciais.
Conclusão e reflexões
O relatório do Inep confirmou que a expansão da educação superior no Brasil foi fortemente puxada pelo setor privado e pela EaD, oferecendo acesso ampliado, especialmente para populações que trabalham e não poderiam estudar presencialmente No entanto, o avanço exuberante convive com altos índices de evasão — que chegam a mais de 60 % em alguns casos, segundo o Mapa do Ensino Superior 2025 da Semesp.
Mesmo com o crescimento, a rede pública permanece com presença limitada em regiões menos desenvolvidas, reforçando o papel essencial das instituições privadas na formação profissional em todo o Brasil.
Este Censo representa um momento de virada para o ensino superior: com mais alunos do que nunca, especialmente por meio da modalidade EaD e de instituições privadas, o país tem a chance de aprofundar estratégias para garantir qualidade, equidade e permanência de estudantes nos cursos.