Projeto aprovado por unanimidade na Câmara amplia faixa de isenção e reduz imposto para várias camadas, agora segue ao Senado para votação final
Uma mudança importante no Imposto de Renda agitou o cenário político e econômico nesta semana: a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade o projeto que isenta o IR para trabalhadores com renda de até R$ 5.000 por mês e estabelece uma redução gradual para quem ganha até R$ 7.350. Agora, a proposta segue para o Senado para análise.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou a aprovação e afirmou que a medida “corrige uma grande injustiça” contra os trabalhadores brasileiros. Segundo ele, a ampliação da isenção era um compromisso do governo desde 2023.
Como era e como fica a tabela do IR
Antes da mudança, a tabela do Imposto de Renda estava defasada e não acompanhava o reajuste do salário mínimo, o que havia corroído o poder de compra de muitos assalariados. Em abril de 2025, o governo publicou a Medida Provisória n° 1.294, que elevou a faixa de isenção para rendimentos até R$ 3.036 mensais (o equivalente a dois salários mínimos) — ou seja, quem ganhava até esse valor já não pagava imposto. Essa medida entrou em vigor a partir da folha de pagamento de maio de 2025.
Os novos limites da tabela, válidos para declaração referente ao ano-calendário de 2025, ficaram assim (base mensal da base de cálculo do IR):
| Faixa da Base de Cálculo (R$) | Alíquota (%) | Parcela a Deduzir (R$) |
|---|---|---|
| até R$ 2.428,80 | 0% | 0 |
| de R$ 2.428,81 até R$ 2.826,65 | 7,5% | 182,16 |
| de R$ 2.826,66 até R$ 3.751,05 | 15% | 394,16 |
| de R$ 3.751,06 até R$ 4.664,68 | 22,5% | 675,49 |
| acima de R$ 4.664,68 | 27,5% | 908,73 |
Com o desconto simplificado de 25%, quem recebe até R$ 3.036 acaba ficando na prática isento do IR — ou seja, a faixa de isenção efetiva sobe para esse valor.
Mesmo com esse ajuste, o projeto aprovado na Câmara vai além: ele propõe que a isenção valha para quem ganha até R$ 5.000 por mês, com redução progressiva para rendas até R$ 7.350. Para compensar a perda de arrecadação, o texto prevê a criação de um imposto mínimo de 10% para quem tem rendimento tributável anual acima de R$ 600 mil.
Impactos esperados para o trabalhador
Para quem ganha até R$ 5.000, a mudança representa isenção total do Imposto de Renda, o que poderá adicionar cerca de R$ 313 por mês no bolso, conforme estimativas de aumento de salário líquido. Isso significa uma folga para muitas famílias que já sofrem com inflação, aumento de custos e reajustes gerais da economia.
Além disso, a revisão da tabela e a elevação da faixa de isenção busca reduzir uma distorção: trabalhadores de classe média vinham sofrendo com retenção de IR mesmo diante de rendas modestas, por falta de ajustes da tabela há muitos anos.
Por outro lado, a proposta causou debate entre especialistas: alguns alertam que alterar a tabela via gastos fiscais precisa ser compensado para não desequilibrar contas públicas. A proposta de criar imposto mínimo para altos rendimentos é justamente uma dessas compensações incluídas no texto.
O que falta para isso virar lei
Agora que a Câmara aprovou o projeto, ele segue para análise do Senado. Se aprovado, voltará para sanção presidencial e só então entrará em vigor — com data prevista para 1º de janeiro de 2026. O governo já conta com maioria para aprovação e declara intenção de tramitar rapidamente a proposta.
É importante ressaltar que até lá vigem as regras da tabela atual (com isenção prática até R$ 3.036) e a aplicação de alíquotas conforme as faixas já revisadas pela MP 1.294.
Se aprovado de fato no Senado e sancionado, a medida será um marco na justiça tributária — segundo o governo — ao aliviar a carga para milhões de brasileiros de renda moderada.