google.com, pub-6509141204411517, DIRECT, f08c47fec0942fa0

Revista Nova Imagem - Portal de Notícias

Nos acompanhe pelas redes sociais

Brinquedos vendidos no Brasil apresentam níveis alarmantes de substâncias tóxicas

Imegem: Freepik
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on email

Estudo com 70 modelos plásticos revela contaminação acima do permitido — risco à saúde infantil exige fiscalização rigorosa

Um estudo recente conduzido por pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) em parceria com a Unifal (Universidade Federal de Alfenas) trouxe à tona um alerta sério: muitos brinquedos plásticos comercializados no Brasil contêm metais e substâncias tóxicas em quantidades que ultrapassam os limites regulamentares.

Como foi feita a pesquisa e o que descobriram

A amostra analisada incluiu 70 brinquedos plásticos, nacionais e importados, destinados a crianças de 0 a 12 anos. As compras foram realizadas em diferentes tipos de lojas — desde estabelecimentos populares até shoppings em Ribeirão Preto (SP) — para representar diversas faixas socioeconômicas.

Para detectar os elementos químicos presentes nas peças, os pesquisadores usaram a técnica ICP-MS (espectrometria de massa com plasma acoplado), que permite identificar metais em concentrações muito baixas. Também aplicaram um método de digestão ácida assistida por micro-ondas, simulando o contato das substâncias com a saliva infantil, para avaliar quanto desses contaminantes realmente se tornariam acessíveis ao organismo (bioacessibilidade).

Os resultados são alarmantes:

  • Bário: 44,3% das amostras ultrapassaram o limite permitido, com níveis até 15 vezes maiores do que os tolerados.
  • Chumbo: encontrado acima do limite em 32,9% dos brinquedos, com concentrações quase quatro vezes superiores ao permitido.
  • Antimônio: irregularidades em 24,3% das peças.
  • Crômio: ultrapassou padrões aceitáveis em 20% dos brinquedos.

No total, foram identificados 21 elementos com potencial tóxico, entre eles prata, alumínio, arsênio, cádmio, cromo, cobre, mercúrio, níquel, urânio e zinco.

Riscos à saúde e preocupações

alguns desses metais são bem conhecidos por seus efeitos nocivos:

  • O chumbo, por exemplo, pode causar danos cerebrais irreversíveis em crianças, afetando memória, aprendizado e reduzindo o coeficiente intelectual (Q.I.).
  • O bário elevado está ligado a problemas cardíacos (como arritmias) e neurológicos (inclusive paralisias).
  • Já o crômio, em sua forma tóxica, é considerado carcinogênico (capaz de provocar câncer).
  • O antimônio pode causar complica­ções gastrointestinais e outros efeitos adversos.

Mesmo que o estudo tenha calculado taxas de extração (a proporção que poderia se liberar em contato com o ambiente oral) entre 0,11% e 7,33%, isso não garante segurança absoluta — principalmente diante das elevadas quantidades detectadas nos brinquedos como um todo.

Além disso, foram identificadas correlações entre metais como níquel, cobalto e manganês, sugerindo que parte da contaminação pode vir de materiais comuns na fabricação. Curiosamente, brinquedos com cores bege apresentaram concentrações mais altas de metais, possivelmente por causa das tintas usadas.

Também vale notar que estudos anteriores já apontaram que materiais como bisfenóis, parabenos e ftalatos (presentes ocasionalmente em plásticos) podem agir como disruptores endócrinos — alterando hormônios do corpo, em especial durante o desenvolvimento infantil.

O que isso revela e o que precisa ser feito

Esse estudo é, até o momento, o mais amplo do Brasil sobre a toxicidade de brinquedos plásticos. Ele revela falhas graves na conformidade com normas nacionais (Inmetro) e internacionais (normas europeias).

Para proteger as crianças, os pesquisadores recomendam:

  • Fiscalização rígida e contínua, com testes laboratoriais periódicos em brinquedos nacionais e importados.
  • Rastreabilidade das cadeias de produção, para identificar e punir fabricantes que utilizam materiais contaminados.
  • Certificação mais exigente de produtos infantis — exigindo, por exemplo, laudos químicos antes da comercialização.
  • Orientações aos pais e responsáveis para saberem escolher brinquedos seguros (ver selos, evitar produtos muito baratos ou de procedência duvidosa).

Além disso, esse alerta deve servir como chamado para que autoridades regulatórias, agências de defesa do consumidor e organismos de saúde pública intensifiquem sua atuação e protejam os mais vulneráveis: nossas crianças.